Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

30 de julho de 2007

Leituras TubarãoEsquilo recomendadas para hoje

Há dias felizes. Hoje li em autores TubarãoEsquilo dois posts a-b-s-o-l-u-t-a-m-e-n-t-e a não perder. Não resisto a fazer a dupla chamada de atenção.

Num texto entre a apresentação do, e a reflexão sobre o, livro Portugal, pioneiro da Globalização, de que é co-autor, Jorge Nascimento Rodrigues, explica-nos que as apresentações públicas da obra têm gerado debates acalorados e escreve:

A singularidade portuguesa na União Europeia é o seu património simbólico das Navegações e a herança intelectual da Matriz das Descobertas, como chamamos no livro. É o único activo que nos pode dar élan. Não para qualquer megalomania de “repetir” antanho, mas para preservar a nossa identidade e contributo específico de alto valor acrescentado ao projecto europeu.

Esse é também o ponto forte português face ao próprio património simbólico de Castela e depois de Espanha (hoje em voga com a emergência do idioma castelhano inclusive nos Estados Unidos). Ponto forte português jogado ao mar por intelectuais do nível do Nobel Saramago – poder-se-á dizer que é mais “una broma de Don Jose”, não levada a sério pelos próprios espanhóis. Mas é um sintoma.

Mas há um problema crítico, que persiste.

(Ler no Geoscópio: Revalorizar o simbólico)

E a propósito recordo que o jantar-debate «Portugal na Globalização do Século XXI», baseado no livro «Portugal, O Pioneiro da Globalização», decorre esta terça-feira no Espaço-Tejo, à Junqueira, tendo como Key Speaker Félix Ribeiro, responsável pela área de Prospectiva e Informação Internacional do Departamento de Prospectiva e Planeamento (DPP), e moderação do nosso (meu e do Jorge) camarada do Expresso, Virgílo Azevedo.

Um tratado, é o post do Miguel Caetano no Remixtures sobre as diferenças dos licenciamentos. Faz a tradução de um artigo de Dmytri Kleiner, Copyfarleft e Copyjustright. Kleiner, um hacker anarquista (não confundir com os inchaços portugueses, este tem obra. E cérebro.) que se debruça sobre o lado económico das licenças. Análise marxista com uma pitada de proudhonismo, muito a calhar nesta altura de inversão de valores.

Os desafios ao copyright tradicional resultantes das aplicações de peer-to-peer, software livre, partilha de ficheiros e arte apropriativa provocaram um vasto debate sobre o futuro do copyright. Dmytri Kleiner usa as críticas actuais da propriedade material oriundas da esquerda como base de apoio da produção artística copyleft e pergunta de que modo é que os artistas poderão ganhar o seu sustento no interior do regime de copyright vigente.

[...]

Diz-se frequentemente de um modo pouco feliz que a propriedade intelectual visa permitir aos produtores de informação a sua subsistência. Permitir, por exemplo, que músicos ganhem dinheiro com a música que compõem. Contudo, se analisarmos a luta de classes compreendemos que na medida em que a classe de proprietários quer ter música, ela tem que permitir que os músicos ganhem a vida. Ela não necessita da propriedade intelectual para este fim. Mas ela precisa da propriedade intelectual de modo a que os proprietários e não os músicos possam ganhar dinheiro com a música composta pelos músicos.

Em qualquer sistema de propriedade, em termos colectivos os músicos nunca conseguem manter a propriedade do produto do seu trabalho tanto mais do que os trabalhadores de uma fábrica de têxteis conseguem. Reformulando a minha afirmação anterior, o objectivo da propriedade intelectual consiste em assegurar a existência de uma classe de não proprietários de modo a produzir a informação a partir da qual uma classe de proprietários extrai lucros. A propriedade intelectual não é amiga nem do intelectual, nem do criativo e nem do trabalhador.

Ler em Remixtures: Nem Copyleft, nem Copyright, nem Creative Commons: Copyfarleft