Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

24 de dezembro de 2007

Liberalismo económico: uma utopia

Há instantes invulgares.

Estava a verificar os resultados de um novo sistema de estatísticas que possa usar na TubarãoEsquilo e reparo que uma das pesquisas em que Certamente! aparece nos primeiros 10 resultados do Google é por liberalismo económico. No momento em que escrevo tenho a sétima posição com este texto: Para a crítica do liberalismo económico, onde a propósito das opas do ano passado evoquei um notável livro de Ralston Saul, The Collapse of Globalism: And the Reinvention of the World.

Mais invulgar que tantas pessoas entrarem no Certamente! por este texto é o facto de não o terem comentado: ali se faz uma observação ao mundo pós-capitalista proclamado pelos liberais, que na prática — como defende Saul e eu alinho — pretendem substituir os capitalistas pelos amanuenses.

Não levar em conta as molas motivadoras dos indivíduos que acumulam a riqueza produzida pela sociedade é desaconselhável. O capital não pretende viver sem regulação, bem pelo contrário! Tudo o que almeja é substituir a regulação exógena, política ou de mercado livre, pelas suas próprias regras. Da mesma forma que nos casamentos para conveniência das famílias ricas, é nesta luz que devemos “ler” os laços entre quem detem (ou se adivinha que vai deter a seguir) o poder político e quem tem fortuna: defendê-la do meio ambiente hostil e acautelar os interesses.

O liberalismo económico é uma utopia — como tal tem o meu carinho ;)

Já não é o poder político que “controla” os excessos do poder económico-financeiro, mas sim o contrário. Esta sim, é uma perversão da democracia. Que não veremos debatida entre quem desistiu da luta de classes para se concentrar nas causas com público e quem nunca se sentiu à vontade no sistema que dava (algum) poder aos não-proprietários dos sistemas de produção (vulgo trabalhadores) e às classes médias.