Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

16 de dezembro de 2005

Louçã

LOUÇÃ. Ainda faltam dois debates, mas já há vencedor. Francisco Louçã ganhou aos pontos. Aproveitou excepcionalmente os tempos — todos — para se mostrar. Foi o candidato que mais estudou; mais afincadamente pareceu preparar-se para os confrontos; surgiu com o discurso correcto para cada oponente — conseguindo desengatilhar Cavaco e afastar-se de um Soares que não poupou vénias ao “socialista revolucionário”; sairá desta fase política com a imagem muito mais projectada no país e “suavizada”.

À excepção de ex-maoistas com dor de cotovelo e meia dúzia de pindéricos adeptos do “liberalismo” que odeiam a inteligência, que nunca conseguirão ultrapassar as suas grilhetas mentais e aceitar as evidências, Louçã marcou pontos em praticamente todos os escalões socio-políticos.

Soares fez o habitual: uma campanha em crescendo. Já ganhou a sua batalha: evitar o “passeio triunfal” do candidato da direita. Como prémio, deverá ir à segunda volta e obter um score honroso para Sócrates, afinal. Arriscou e venceu.

Alegre fez o que lhe competia: safa a sua honra no romance policial O Caso Do Dito Por Não Dito, protagonizado pelo líder do seu partido. Safa a consciência dos esquerdistas com princípios. Ajudou a cativar o voto da esquerda, evitando a dispersão que favorecia Cavaco. Sai sem mágoa.

Jerónimo sai menos mal; não conseguindo travar o avanço de Louçã, segura o eleitorado comunista fiel e consegue passar a mensagem de que os comunistas são necessários ao regime, enquanto voz do que resta do antigo proletariado.

Cavaco é Cavaco, nada a fazer. Monolítico. Nem mais nem ontem. Nem uma ideia, nem um rasgo. Nada. É ele, ponto. Ganhando as eleições, prestará um péssimo serviço ao seu eleitorado ofuscando os líderes da oposição da direita e comprometendo o PSD com a governação. Com Cavaco presidente o CDS/PP, partido à beira do abismo, dará um grande passo em frente; Mendes ficará ainda mais invisível na liderança (?) do PSD e ninguém prestará atenção alguma ao que restar para ele, das migalhas dos holofotes apontados ao Grande Timoneiro Agora Eleito, pois é um chefe a prazo.

Os restantes putativos candidatos cumprem as funções do costume: folclore local e regional de um lado, do outro bandeira de quantos odeiam a democracia e tudo fazem contra ela, pelo regresso à selva.