Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

21 de janeiro de 2008

Luis Paixão Martins e a sobrevivência do jornalismo

foto luis paixao martins Escreve Luis Paixão Martins no seu blogue, no quinto post da série o fim do Jornalismo tal como o vivi: “neste contexto, haverá muitos consumidores de Jornalismo que se queixam de que os media têm critérios desfasados e outros que, como eu, entendem que, pelo contrário, a sobrevivência do Jornalismo decorre da manutenção de critérios de rigor e exigência que não podem ser acompanhados, por exemplo, pelos blogues pessoais“.

O contexto é o “episódio” do diploma do primeiro-ministro e, recorda Paixão Martins, “houve líderes de opinião que acusaram o director de informação da RTP por este não ter sido os mesmos “critérios editoriais” de blogues pessoais“.

Líderes de opinião acusam um director de informação por não usar os critérios editoriais dos blogues.

Líderes de opinião acusam um director de informação por não usar os critérios editoriais dos blogues.

Espero que os jornalistas — e em particular os directores de informação — saibam resistir a líderes de opinião destes. (E, já agora, os liderados também.)

Mas a questão essencial, como já referi antes no Certamente! e noutros locais, não passa por esses líderes de opinião, que apesar de tudo são fruta da época (como tal podem causar indigestões). Passa por quem paga, por quem sustenta o modelo económico que tem permitido o exercício do jornalismo.

Com patrões que desvalorizam sistematicamente o produto jornalístico, sendo por isso recompensados pelos colegas e accionistas, o fim dos seus negócios só pode ser um.

Quem continuar a valorizar o produto e a cuidar dele, tem o futuro garantido num mundo com sobrecarga de informação e dificuldade de filtragem, entre outras ameaças aos direitos e liberdades provenientes do sítio do costume. O profissionalismo — a experiência acompanhada dos valores da ética e do rigor — é uma meta a que alguns bloggers também ambicionam, justamente. Alguns entre a mole.

Isto é tudo um bocado óbvio, só não vê quem não tem interesse em ver.

Luis Paixão Martins que me respondeu hoje a três perguntas no Expresso, a propósito da mudança do seu blogue para a plataforma e para a marca do Sapo.