Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

29 de setembro de 2007

Luis Filipe Menezes é um perigo

A subida de Luis Filipe Menezes à liderança do PSD é um perigo. É imediatamente um perigo para o actual governo. Mendes era o líder da oposição perfeito perfeito perfeito, arrumava a casota dele e não incomodava. Menezes é, na melhor das hipóteses, uma incógnita. Na pior, um pesadelo de relações públicas, tal o chinfrim que já provou ser capaz de armar. Vamos ver. Dependerá muito da sua capacidade de evoluir para o estadismo. Tenho sérias dúvidas sobre tal percurso, devo confessar. Mas tem direito ao benefício da dúvida.

Para a direita, Menezes é um perigo. É um centrista e um oportunista, tem perfil para fazer de espelho de Sócrates, governar à esquerda se for preciso.

Para o CDS, é um perigo! É imprevisível, é fogoso, é mediático, é palavroso, é populista. Não sobra espaço. Os ares vão ficar abafados para o partido.

Para os analistas, Menezes é um perigo. Não o entendem, não o assimilaram, não o querem, não o gramam, não o levam a sério.

Para o país, Menezes é um perigo. Um foco de instablidade permanente. A economia sobressalta-se com a perspectiva — teoricamente, temos de a aceitar — de Luis Filipe Menezes um dia mandar.

Mas o perigo maior é, sem dúvida, para o PSD, o seu próprio partido. A subida de Menezes é um golpe de consequências nesta altura imprevisíveis na complicada teia de comando e influências que é o Partido Social Democrata.

Um golpe?

É um cataclismo. Menezes representa o PSD no estado puro: um partido nervoso, pujante, capaz de tudo e seja do que for, para levar alguns ao poder. Um elevador. O elevador que conhecemos na década de 80 e que esteve devidamente controlado. Menezes não é pior que Cavaco quando saiu triunfante da Figueira da Foz — cidade uma vez mais no caminho do PSD.

Nesta altura, é imprevisível. Tudo pode acontecer, desde uma vaga que leve o partido ao poder já em 2009 (o que o PSD controlado de todo em todo quis evitar, porque tem a sua clientela sentada à mesa e não convinha nada, e a estratégia e a dinâmica dos diversos centros de poder internos e gravitacionais) até à confirmação da tese de que Menezes para 2009 representa um atraso no percurso de credibilização do partido para 2013 (e um filet para José Sócrates comer ao almoço do domingo eleitoral, dada a sua inconsistência política).

Sou mais realista: Menezes está mais perto da sola velha que do lombo tenro. Admito que não mate, mas vai moer à brava.

Bem. Menezes é um perigo para muitos (para mim, não) o que tem um lado muito, muito positivo. Vou-me divertir imenso nos próximos tempos!