Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

1 de agosto de 2007

Mac: segundas impressões

Já lá vão quase dois meses desde que mudei para Mac. A 8 de Junho publiquei as minhas primeiras impressões. Hoje é altura de irmos às segundas impressões.

É com algum esforço que escrevo isto. Disciplinei-me para voltar ao tema. Porque a verdade é esta: estou tão bem que é como se tivesse tido um Apple toda a vida.

Não tenho a mínima saudade do Windows. Sinto apenas um grande alívio. Não sinto falta do Linux porque a linha de comando passou a estar ainda mais perto :)

Inscrevi-me numa mailing-list de utilizadores de Mac; é uma espécie de pró-forma e de qualquer maneira devemos aproveitar as redes de apoio e, na medida das nossas possibilidades (e se for da nossa natureza), contribuir. (Bem: para ser completamente franco, a lista é bem gerida mas não me traz nada de novo e estar por estar não me parece bem. A “comunidade” Mac portuguesa é uma bizarra e saudável amálgama de muitas e variada gentes — mas a isso voltarei um dia destes, com vagar.)

Bem, e o que uso, afinal, no meu Mac?

Comunicação, texto e imagens

Como pacote de escritório decidi-me pelo NeoOffice, depois de me terem chamado a atenção para essa alternativa de OpenOffice para Mac OS X.

Para comunicar instalei o Spark, que permite ligar-me a todas as redes onde tenho conta, através do meu próprio serviço de IM, um open source chamado OpenFire (tenho contas disponíveis, se alguém quiser usar este serviço, que nos permite ter todos os nossos contactos num único sítio.)

Uso o Firefox sobretudo, o Safari como segundo browser e o Opera como terceira escolha.

Giro as contas de correio a partir de um Thunderbird.

Instalei o Gimp para programa de manipulação de imagens, mas ainda procuro uma solução melhor. O Gimp obriga-me a usar o ambiente X Window — um ambiente gráfico em cima de outro faz-me sentir esquisito e a sacrificar o desempenho, além de que há atalhos de teclado diferentes, o que me causa grande transtorno (sou um maníaco do teclado e uso o rato o menos possível).

A propósito: os atalhos e as teclas em falta, eis a única coisa que me perturbou na mudança de computador. A tecla ENTER pequena, que tanto temi, afinal não é problema — mas HOME / END e páginas de navegação, é um quebra-cabeças… Bem, lá tive de ir desencantar à estante o meu breve manual de vi, que continua a ser o aplicativo de escritório que mais uso no dia a dia, para aprender a navegar num ficheiro extenso pelas teclas “normais”. (Sim, de escritório; o vi é um editor de texto, afinal.)

E por falar em vi, o programa que mais uso depois do Firefox é sem dúvida o Terminal.

Código livre e software de preço justo

Não quero instalar o Photoshop por uma razão simples: o seu preço está fora do que eu estou disposto a pagar por um software que uso pouco, e de uma forma muito amadora. É como ter um Porsche para ir ao supermercado. Onde está o Opel Astra dos manipuladores de imagem? Algo que faça o que eu preciso, a um preço decente (39 dólares parece-me indicado neste caso)?

O que eu pensava que viria a ser uma grande dor de cabeça, estando até preparado para manter um dos computadores da família com uma conta minha por causa disso, afinal resolveu-se num ápice: o software de gestão, com facturas e toda essa cangalhada inominável que uma empresa precisa para operar.

Na sequência do meu primeiro texto sobre o MacBook acabadinho de chegar, a Gestix contactou-me; disponibilizaram-me, sem nenhum tipo de compromisso, um dos seus produtos. Aceitei — desde que reservasse o direito de escrever sobre ele, se o quiser — e vou querer lá mais para a frente). Estou a usar o Gestix e tenho facturas e recibos como quero (em base de dados) e pronto, não se fala mais nisso. É óptimo. Não ter contrariedades quando as esperávamos, é óptimo.

Já tenho programas pagos. Aliás, não uso software pirata no meu MacBook. Já tinha acabado com isso antes. Existindo alternativas gratuitas ou de preço justo, prefiro-as a sacar os serial numbers dos grandes pacotes comerciais. Bem sei que é o que toda a gente faz; so what?, eu faço o que eu quero, e o que eu acho correcto fazer, não o que os outros fazem ou acham.

O primeiro programa que paguei foi o 1passwd, um gestor de passwords.

Vou comprar mais alguns, estando já na calha um gravador para o Skype (que também instalei, voltando a usar este VoIP de que fui beta-tester há anos) e um de dois softwares de edição de video que mantenho em testes.

Sem fios é melhor

De resto, das aplicações normais do sistema uso com regularidade o iPhoto, o editor de texto, o iMovie e o iSync. Não estou habituado, mas lá irei, à agenda (iCal) e o iWeb facilita alguns aspectos da edição web, mas não me estou a ver usar aquilo. O iTunes, não uso. Nada contra, apenas não faz parte dos meus hábitos.

O meu desktop está a 1400×900 com milhares de cores. Comecei por não activar o Apache, mas depois acabei por o fazer. Idem para o MySQL. Não uso o Mac como plataforma de testes, mas bem podia.

Estou maravilhado com as facilidades e a transparência da telefonia sem fios. Excepto o problema já reportado de a placa não se ligar a um determinado router, que ultrapassei comprando outro (precisava, anyway), tudo tem funcionado maravilhosamente. Até montar o estendal do costume em férias (um número indistinto e variável de computadores a ligarem-se à net através da minha placa Vodafone 3G) se revelou espantosamente fácil. Nem 30 segundos perdi em configurações, foi só descobrir onde está o “botão” de on-off :) (Internet e rede, compartilhamento).

A placa 3G plug and “pray” foi mais para play do que para pray, depois de sacar o software próprio.

Acabo com dois reptos. O primeiro ao João Pedro Pereira, que veio de férias com um MacBook e já “postou” com ele: venham de lá as tuas primeiras impressões!

O segundo aos leitores em geral: sugestões para software? Quais são as melhores aplicações para Mac OS X? O que usam mais no vosso dia a dia?