Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

25 de outubro de 2005

Malabarista dos bastidores

MALABARISTA DOS BASTIDORES. Ao longo de uma longa carreira política, Aníbal Cavaco Silva esforçou-se por (e conseguiu, o que hoje dá imenso jeito) passar a mensagem de ser um homem «sozinho», «distante do aparelho partidário», com o qual até se dá «mal». Pelo menos é o que reza a propaganda arregimentada. Lamentavelmente, a realidade não coincide com a propaganda. Logo na Figueira da Foz Cavaco mandou Ribeiro da Silva telefonar a Eurico de Melo, o patriarca do PSD, sem a presença do qual não ganharia o Congresso. Melo fez-lhe a vontade – então e para sempre: ao longo da década seguinte foi o aparelho do partido quem lhe garantiu o apoio popular nas ruas em alturas eleitorais. Foi esse aparelho que o segurou nas palmas enquanto ele, no poder executivo, distribuiu os fundos estruturais com que a União Europeia quis modernizar Portugal pelo aparelho de Estado (o número de funcionários públicos disparou durante o cavaquismo, estando na génese da sua actual incomportabilidade económica) e… pelos barões do partido, a troca da silenciosa cumplicidade (ou, pelo menos, da conspiração meramente privada). Normal na governação, diz o consenso popular. Sim. É este o homem que “os portugueses” querem para presidente.