Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

3 de março de 2006

Mãos aos ar, isto é um assalto!

MÃOS AO AR, ISTO É UM ASSALTO! Já sabemos que a banca é amoral. Espera-se isso mesmo do sistema bancário e o contrário seria perigoso. Agora, não é de todo expectável que os bancos sejam imorais. A terceira tentativa de taxar o cliente por este fazer de conta que é funcionário do banco e realizar ele mesmo as operações que antigamente um caixa fazia, é imoral, hipócrita e merece condenação. É um caso de política — antes que se torne um caso de polícia.

«Pela terceira vez os bancos fazem uma tentativa de cobrar uma taxa pelo uso do cartão de débito multibanco» (TSF).

«No estrangeiro paga-se comissões para levantamentos fora do banco onde se tem conta. Acho que devemos caminhar nesse sentido», adiantou Norberto Rosa, administrador da Caixa Geral de Depósitos. Que recebeu o apoio do Banco Espírito Santo, através do administrador António do Souto: «as operações devem ter o seu preço em função do que custam» ao que Eduardo Stock da Cunha, do Banco Santander Totta acrescentou que só assim se consegue a qualidade dos serviços. (Agência Financeira, link à sorte)

Não vou arengar, como nas outras duas ocasiões, sobre as imensas poupanças que eu proporciono ao meu banco por usar um cartão de plástico, o homebanking e gastar o meu próprio papel para imprimir a lixarada que a burocracia estatal exige impressa.

Fico antes com os factos que comprovam a imoralidade (e podíamos facilmente empregar expressões muito mais sonantes, estou a ser contido) das supracitadas entidades: «A crise não parece afectar os bancos portugueses. Os cinco maiores grupos bancários portugueses viram os seus lucros crescerem 28,3% até Setembro, atingindo os 1.474 milhões de euros. Para este crescimento contribuíram os lucros da CGD, que registaram o maior crescimento e o maior valor absoluto. O Totta obteve igualmente um aumento assinalável, de 31,2%» (cinco maiores bancos: Resultados sobem 28,3%, in DN).

Isto num país de economia deprimida, com as classes médias e baixas a apertarem os cintos, endividadas até à raíz dos cabelos. Se não é imoral, é o quê? Se não é um assalto dos bancos, é o quê?