Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

22 de março de 2005

Mas antes, uma palavrinha do editor

Começo por uma confissão: apesar do meu evidente gosto, desde pequenino, pelas letras impressas, pelos tipos, pelo cheiro da tipografia, pelos papéis, pelos alfarrabistas, pelas bibliotecas, pelos livros, NUNCA me passou em momento algum pela cabeça que um dia viria a ser editor.

Mesmo quando publiquei pela primeira vez obra minha e alheia (há mais de duas décadas, coisas policopiadas e tal, esqueçamos essas aventuras!), ou mais recentemente, nos anos 90, fui publicado três vezes em duas distintas casas, NUNCA me passou pela cabeça que um dia viria eu a cumprir esse destino de trazer as palavras dos outros para o papel, os livros.

Mesmo quando, há precisamente dois anos, e antes dos blogues, eu e o meu então reencontrado amigo Luís Ene esboçámos o projecto leiturascom.net, ele não contemplava a edição tradicional em papel. O projecto (que agora, finalmente, começa a estender-se) visa(va) sobretudo a partilha dos gostos pelas leituras e escritas, a congregação de vontades, a união de espíritos e a reflexão sobre as letras e seus presentes e futuros, da actividade de as produzir à actividade de as desfrutar aos meios de difusão.

A ideia evoluiu já em 2004 para uma editora, mas o meu papel era meramente o de sócio pouco participativo no dia a dia editorial e nas escolhas e processos, apenas daria uma mãozinha nas extensões online. Acontece que, por razões que é melhor não virem ao caso, essa editora se extinguiu antes de publicar uma linha.

Questão filosófica número um: que fazer com as ideias?

Questão filosófica número dois: deitar fora o capital de conhecimento já adquirido e desistir quando metade da máquina já estava a rolar?

A escapatória mais curta para arrumar as questões filosóficas de vez (sou um gajo prático) era assumir eu a função de editor. Assumi. Ponto. Pronto. Mamã, sou editor.

A situação é a seguinte: já sujei um montão de papel com dois livros, estão na calha mais três, previstos para impressão até início de Abril e lançamento no mercado em meados desse primaveril mês. Se tudo correr minimamente, o ritmo pretendido é de duas obras por mês.

E que vou eu publicar, pergunta o leitor estupefacto?

Começo por onde há talento emergente. A blogosfera, sobretudo. Um dos dois livros já impressos e à venda – tanto online na loja.pauloquerido.com como nalgumas livarias, FNAC incluída – saiu directamente de um blogue. E dos três agora em gestação, dois também se alimentam de palavras e imagens testadas (com amplo sucesso) na blogosfera.

Cabe no entanto referir que sendo a blogosfera, de tão rica em talento, um campo privilegiado para recolher palavras dispersas e encorpá-las em formato (mais) perene e portátil, não é o único filão a explorar. Aliás, dos quatro autores publicados e a publicar, apenas um será estreante no mundo dos livros. Os outros têm obra publicada.

O Luís Ene começou por ganhar um concurso da Porto Editora e o seu primeiro romance, A justa medida saiu ainda em 2003.

A Ana Roque tem diversos livros publicados na área do Direito, em várias editoras, e concedeu-me o privilégio de lhe editar não só o seu último (e importante) título na área, como de a estrear no campo da ficção.

O terceiro autor sou eu próprio. Para comemorar uma série de acontecimentos históricos, decidi lançar uma compilação das minhas palavras sobre tecnologias de informação e tal, publicadas ao longo dos anos em diversos meios. ( Em breve darei mais detalhes. Assim e em síntese: está a sair o meu milésimo artigo em jornais, aqui o blogue vai fazer dois anos e mil posts. )

O único autor (até este preciso instante) estreante é o … hum… ficamos por aqui ;) até porque são quase 16:00!