Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

8 de outubro de 2005

Matéria perigosa

MATÉRIA PERIGOSA. Quero agradecer à minha classe de formação no Observatório de Imprensa. Esta manhã explicava-lhes o que se está a passar com isso das “micro-causas”, a última moda da blogosfera. Graças a essa explicação pude aprimorar o meu pensamento sobre a matéria. Eles tiveram a versão pedagógica, fica aqui a versão nua.

Pacheco Pereira foi quem mais cuidado teve na utensilagem da coisa, com a OTA (o pedido era ao poder político) e quem mais cuidado tem agora na análise delas, micro-causas: é verdade que se deu, via web, um alargamento do espaço público e o poder mediático terá de o levar em conta. A opinião dele sobre o resto é discutível, mas não fugirei ao tópico.

Mas a exigência do esclarecimento ao Público é matéria inflamável. Longe de mim defender que o poder mediático deva pairar acima do escrutínio da sociedade; pelo contrário, a Imprensa formou (como nenhum outro poder) mecanismos de correcção e limitação do seu exercício, desde os prévios (livros de estilo, código deontológico) aos posteriores (Observatório de Imprensa, recentemente os provedores dos leitores, para citar os mais óbvios à memória).

Lembrado com o que aconteceu à Justiça portuguesa com o escrutínio popular desregrado e a cumplicidade da vanitas de alguns magistrados, desconfio agora destas micro-causas: acho-as mais parecidas com os linchamentos populares do que com a associações de moradores que reinvindicam do presidente da Junta a limpeza do fontanário.