Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

20 de junho de 2006

Microsoft: os flops operativos

Na sequência do meu artigo Os dez piores flops da Microsoft, que é uma localização (e adaptação) do original da Microsoft Watch, seguem aqui mais dois flops, os relativos a sistemas operativos. Optei por uma sequência diferente da seguida por Mary Jo Foley, agrupando os flops…

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2. Windows ME

A Microsoft desperdiçou milhares de horas/homem em várias versões do Windows, umas simples derivações ou evoluções que consumiram menos recursos, outras sistemas totalmente diferentes. Isto desde o Windows 1.0, que remonta a 1985 (a “família” tem portanto 21 anos, uma bonita idade). O pior deles é sem dúvida o Windows ME, o Millennium Edition que a empresa lançou em 2000. Confundia-se aliás com outra versão. Até hoje permanece mais ou menos incompreensível porque avançou a empresa com um produto tão mau, cheio de bugs e defeitos, impossível de manusear, que “crashava” inopinadamente – quando estava a aprontar o Windows XP para sair apenas um ano depois (2001), que é exactamente o oposto, o mais robusto e marcante sistema operativo da família. Se era para avaliar os defeitos a evitar depois no XP, porque diabo fez cair os custos nos seus clientes — por duas vezes? Uma versão de distribuição livre, ou no circuito fechado dos beta-testers (a empresa gaba-se ter um enorme exército de testadores…) era suficiente e teria evitado a humilhação do ME.

Um dia destes, num escritório, deparei-me com duas peças destas. Pediram-me que as ligasse à rede local (e, por extensão, à Internet). Horas depois, com meia dúzia de telefonemas pelo meio para as pessoas que anteriormente os tinham instalado e lidado com os problemas, desisti. Ninguém mexe com um ME!

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3. DOS 4.0

Nenhum registo histórico pode passar por cima do antecessor do Windows, o MS-DOS. De todos os derivados do QDOS (Quick and Dirty Operating System), a versão 4.0 é reclamada pelos historiadores como the buggiest nightmare. Foi lançado em 1988 e, de acordo com este artigo da Wikipedia, baseava-se em código da IBM e não da Microsoft.

Querem ter uma ideia do “poder” do ecrã negro do MS-DOS? Em 1995, aquando do lançamento do Windows 95, escrevi para a saudosa Revista do Expresso estarmos perante uma mudança de paradigma, um sistema operativo que iria fazer esquecer em três tempos o velhinho e mau MS-DOS; até aí o Windows (então a versão 3.11 for Workgroups, bastante sólida para a época) sempre correra em cima do MS-DOS, com todas as desvantagens de desempenho que podemos agora apenas imaginar. Para mim era claro: o 95 era o caminho e iria atirar o DOS para o esquecimento em menos de cinco anos (vi mal: um ano depois já ninguém se queria lembrar, sequer, daquela porcaria que fora obrigado a usar, porcaria por comparação, atenção). O editor de serviço (hoje redactor principal do jornal), um dos raríssimos jornalistas à época que sabia fazer mais num computador além de jogar Tetris e escrever no Write (editava o seu próprio config.sys e autoexec.bat! — vai uma aposta em como ninguém hoje sabe o que era isso?), disse-me que eu era maluco e quis recusar a publicação da peça. Armámos uma peixeirada na famosa sala oval do terceiro andar da Duque de Palmela, onde o Pedro Figueiral, se não estou em erro, paginava a matéria. Não estou certo (a memória tem buracos), mas penso que foi o Joaquim Vieira que lá nos apaziguou. A peça entrou, felizmente, porque felizmente o DOS é hoje uma recordação. Não que o editor o desejasse: jurou a pés juntos que o MS-DOS havia de durar pelo menos dez anos (até 2005, portanto) enquanto sistema operativo de pleno direito (não o é desde 98 ou 99, existindo apenas como “máquina virtual” para efeitos de retrocompatibilidade, segundo nos dizem; é aquela coisa da janela preta que se pode abrir em Iniciar->Executar->cmd+Enter).