Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

7 de março de 2006

Monstro gordo e doente procura cura de emagrecimento

MONSTRO GORDO E DOENTE PROCURA CURA DE EMAGRECIMENTO. O discurso de Horta e Costa é de uma infantilidade que até faz pena. O homem (e a empresa) acha que alguém se preocupa com o destino da PT. Não há pior cego do que aquele que não quer ver.

Os accionistas acreditam tão ou mais depressa em Belmiro que num board manta de retalhos, cujo nunca se distinguiu pela competência. E se não for Belmiro ou o filho, há-de aparecer outra OPA: ainda bem que as águas se agitaram, uff, alívio — é o que “diz” o mercado. «Nada voltará a ser como dantes» dizia-me esta tarde, profeticamente, um alto administrador do grupo, depois de me sussurar em tom de enigma que o futuro dele e da PT não passa pela Sonaecom.

As pessoas assistem, divertidas. Nada as liga emocionalmente à PT — e se alguma emoção existe, é negativa para o antigo contumaz monopólio, travestido à força em “empresa de mercado”. A verdade é esta: ao longo da sua arrogante existência, nunca a PT se preocupou com os seus clientes nem com os seus accionistas. Quem só olha para o umbigo não arranja amigos. Agora esperam o quê? (Nem deuses quereriam premiar com um milagre uma tal empresa.)

Ninguém acredita em Horta e Costa; mas ainda que Belmiro se preparasse para desmembrar a PT, quem se importaria? Não certamente a maioria dos accionistas (embora uma certa minoria preferisse continuar grande num sector que ainda tem muito para mungir). Muito menos o público em geral — que sabe ou intui (correctamente) que uma PT fraca, ou desmultiplicada, é o caminho mais curto e rápido para um mercado transparente onde os preços das telecomunicações cairão rapidamente e vários mercados a jusante poderão, finalmente!, descolar.

Os únicos que já manifestaram alguma preocupação foram os pensionistas e reformados do grupo. Olha lá o deles! À excepção destes, dos sindicatos (ressuscitados à pressa) e de Horta e Costa, restam meia dúzia de funcionários no grupo que têm razões para temer o futuro: os das sucessivas prateleiras que as lutas pelo poder foram deixando, os penduras e os ineptos. Numa palavra: a gordura do monstro.

PS: — Vou fazer mais uns amigos na PT — disse eu enquanto acabava este texto. — Não faz mal, amor, estão de saída — disparou de pronto a Ana.