Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

13 de agosto de 2007

Multidões em Veneza

Agosto é provavelmente o pior mês para visitar Veneza, dirão. Admito que sim. Fotografei isso mesmo: a permanente hora de ponta que se vive nas principais artérias da cidade durante o dia, com uma multidão heterogénea de turistas que se fotografam uns aos outros em cada canto, em cada recanto.

A Catarina até sugeriu, a propósito, um Flickr para toda a gente despejar as suas fotos de Veneza, cada um acaba por estar na foto de alguém. Tem piada.

Contudo, Veneza é mais que um enxame de turistas. Veneza é maior que as multidões que tem atraído ao longo de séculos e séculos. As migrações não são de hoje; mudaram razões, calções, emoções, embarcações — mas há um fio invisível presente em cada rua, canal, beco ou praça, um fio invisível que me liga a um turista de um mês de Agosto de 1980, a um viajante de um mês de Agosto de 1890, a um mercador de um mês de Agosto de 1760… Todos eles no meio de uma das multidões que ajudam Veneza a afundar-se em glória.

Basta um passo ao contrário da manada e entramos noutra Veneza, num canal sem gôndolas nem visitantes de calções e máquinas fotográficas. Outro passo numa encruzilhada e entramos num dos largos onde Hugo Pratt guiou (ou desviou…) Corto Maltese no seu interlúdio com os gatos. Passo aquela esquina e, guiado pela luz, descubro sentado Giovanni Antonio Canal, dito Canaletto, a emoldurar instantâneos eternos.

Esta é uma foto da multidão de Veneza, nos próximos dias deixarei aqui outras fotos da Veneza deserta e parada no tempo, tiradas no mesmo dia, na mesma correnteza, fora dela.

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Veneza, Agosto de 2007