Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

20 de setembro de 2006

No meu caso é demasiado tarde

Pronto para surfar sem limites? — pergunta-me a Netcabo numa campanha publicitária requentada. No meu caso, a pergunta / proposta chega demasiado tarde. E duas vezes atrasada.

Atrasada, uma, porque numa das casas já fez um ano que trocámos a Netcabo e o Sapo ADSL (sim… as duas ligações numa mesma casa, para duas pessoas diferentes, vendidas por um mesmo grupo, numa atitude de grande carinho e compreensão pelos seus clientes…) por um Clix. Não só a factura das comunicações (voz e Internet) baixou substancialmente, como — a minha vitória e alívio — os problemas técnicos sumiram e a harmonia do lar aumentou consideravelmente. Na outra das casas mantive a Netcabo por razões de amizade — mas também aí é tarde pois no mês passado, confrontado com uma factura de televisão e Internet de valores disparatados, tomei a decisão de meter ambas, televisão e Internet, e ainda o telefone fixo (que não tenho há anos) através da solução do Clix, do qual sou um cliente satisfeito (note-se: também tem os seus problemas e há pouco tempo tivemos de usar recursos alternativos; o que não tem comparação é a qualidade geral do serviço e o tratamento dispensado aos clientes).

Atrasada, duas, porque agora é demasiado tarde mesmo… Há cinco anos que venho dizendo que o preço da ligação à Internet em Portugal é demasiado caro tendo em conta o serviço proporcionado, e o limite de tráfego tem sido, desde até há mais tempo, o pior defeito da Netcabo e de outros operadores. Deu origem a milhares de queixas formais e dezenas de milhar de lamentações e “queixas”. Agora é que vêm com o “sem limites”? Numa campanha destinada a estancar a hemorragia de clientes?

Além de que me parece demasiado tarde também em termos de marketing. Os principais consumidores de tráfego, o povo do peer-to-peer, estão ajustados à realidade. Vieram afinando e nivelando os seus programas para explorar o máximo de ficheiros dentro da quota mensal de banda. Muitos nem se darão ao trabalho de abrir as goelas, excepto pontualmente. Afinal, já toda a gente tem toda a música em casa…

Acresce que na maioria dos casos de consumo os limites chegam e sobram. Basta fazer contas. Eu, por exemplo, vivo confortável com 2 GB mensais, como comprovei recentemente num período de férias, em que vivi da minha placa Vodafone 3G. E isto com a partilha por três portáteis, com três adolescentes colados à net em regime de trabalhos forçados por turnos (nunca vira uma coisa assim: os computadores estavam parados talvez umas quatro horas por dia… e os dois adultos tinham de aproveitar o sono dos miúdos para verem o correio), ele era o YouTube sempre a bombar e os fotologs todos e mais alguns.

Com um mercado relativamente ajustado, terá a campanha sucesso?