Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

10 de janeiro de 2006

NUNCA FUI UM INDIVÍDUO COM CERTEZAS DOGMÁTICAS ACERCA DE GRUPOS OU PARTIDOS. «Comecei por me relacionar, sobretudo na Margem Sul, a associações de estudantes fortemente politizadas, por um lado, e a determinadas organizações políticas, como por exemplo os Católicos Progressistas, por outro. Achava que todos aqueles grupos eram necessários para formar um movimento que conduzisse ao derrube do poder. Qual seria depois o partido ou organização que surgiria após o derrube do poder, não sabia.»

«(…) multiplicaram-se então as minhas idas por vários locais, reuniões com variadíssimos acidentes. Foi o célebre período em que o meu nome não figurava em jornal nenhum, em que embarcava sem saber se ia chegar ao destino, porque podia ser, como fui, interceptado pela Pide.”

“A última vez que fui preso tinha ido esperar o meu pai ao aeroporto. Vim para casa, dormi mal e no dia seguinte bateram à porta. Estávamos em Abril de 1973. O meu filho Zé Manel foi abrir. O inspector apresentou-lhe o ‘crachat’ da polícia e ele voltou-se displicentemente para a sala a dizer ‘oh pai é a prestimosa’. O tipo entrou, fizeram a vasculhação e levaram-me para Caxias.».

Declarações de José Afonso, reproduzidas com a devida vénia à AJA.