Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

5 de abril de 2007

O caso dos títulos: a culpa de José Sócrates

Tudo não teria passado de um fait-divers, como comentei em privado e em público, se o cidadão José Sócrates tivesse esclarecido o assunto, em vez de deixar a carga cair em cima do Primeiro Ministro José Sócrates.

Nem sempre há fogo onde há fumo — mas com a intervenção no tempo certo, uma fumaça não chega a incêndio.

O episódio demonstra várias coisas interessantíssimas.

Por exemplo, a atitude de ex e wannabes políticos que, tendo da comunicação de massas uma visão unicamente instrumental, panfletária e propagandística, aproveitaram a maré para “exigir” que os meios se mexam fora dos seus ritmos próprios, ao ritmo dos interesses dos agrupamentos partidários ou contra o partido Governo.

Por exemplo, o “poder de veto” que subsiste à Imprensa profissional em tempos de “jornalismo cidadão”. O caso “nasceu” em Santarém, de lá “saiu” para o país através da blogosfera, onde ferveu em lume brando, mas só no momento em que os jornalistas descobriram ângulos por onde explorar noticiosamente o que até aí não passava de um rumor, o caso ganhou verdadeira consistência.

Por exemplo, corroborando o que já Clinton (para ficarmos nos recentes) tinha demonstrado com o affaire Lewinsky e a idiotia do fumo do charro: a democracia instantânea pode decapitar o eleito para se comprazer, mas continua a competir à História julgar o estadista.

PS: a colagem deste ao caso de Nixon é perigosa. A trapalhada de Nixon era política e mexia com o poder da presidência dos EUA; os telefonemas de Sócrates são pessoais e mexem com a sua imagem.