Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

21 de junho de 2006

O divórcio

Quem leia certos blogues e certos mediáticos comentadeiros ficará com a impressão que a equipa portuguesa pouco ou nada vale, está no Mundial provavelmente por favor e só ganhou porque enfrentou as piores equipas do mundo. A atitude crítica é extensível, embora neste caso compreensivelmente, aos jornalistas que lidam directamente com o assunto selecção (excluo os pés de microfone que falam com autóctones e populaças para nos dar a “cor local”) e, ainda mais compreensivelmente, aos adeptos portistas com necessidades especiais, para quem o futebol é o que o senhor Pinto da Costa disser que é (é assim mesmo! Apoiado! Arf arf!).

Ao mesmo tempo, quem ouça falar os técnicos desinteressados, leia a imprensa profissional ou ande pelas ruas de Portugal ficará com a ideia que a equipa se está a portar bem, a cumprir as obrigações e como se isso não bastasse a fazê-lo de forma profissional, sem tremideiras, sem casos, sem saltilladas, sem cartões vermelhos, sem confusão.

Todos sabíamos já que tínhamos um país a duas velocidades. Confirmadas agora pelo futebol “deixem-se de merdas” de Scolari e Figo, que veio oficializar o divórcio entre dois tipos de portugueses: os que sabem que o principal objectivo é marcar na baliza adversária, e os que lateralizam a bola.