Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

28 de dezembro de 2006

O dragão de Komodo, a Wikipedia e o poder sobre o conhecimento

De Flora, a virgem mãe de 2006, ao poder sobre o conhecimento é o título de um artigo que publico hoje no Expresso online. Sugiro a sua leitura aos meus leitores regulares (e irregulares…) no Mas certamente que sim!, para onde o artigo foi originalmente escrito numa versão superficial. Dada a seriedade do tema, optei por adensar a escrita aprofundando o assunto da controvérsia sobre a Wikipedia.

Um resumo:

O artigo [ na Wikipedia sobre a partenogenese ] não apenas reflecte já a novidade como nos fornece pistas para praticamente todos os aspectos relacionados com a questão — da pista que conduz à Virgem Maria e às crenças associadas, ao estudo da partenogenese em particular e da reprodução em geral, sexuada e assexuada. Comparem-se as entradas sobre a espécie dragão de Komodo da Wikipedia e da Britannica. A comparação é eloquente.

Do meu ponto de vista, estes exemplos (cujo número tem tendência a aumentar) reforçam a minha convicção sobre a Wikipedia e o que dela se tem escrito, sobretudo entre os poucos portugueses que se dão ao trabalho de pensar no assunto.

Na sua forma mais benigna, o cepticismo quanto aos resultados da experiência da Wikipedia é lido através da natural reacção humana que desconfia da mudança ao avaliar o presente em função de um passado indefinido no qual os valores possuiriam uma natureza certa e constante (Gustavo Cardoso sobre Jari Aro).

Na sua forma maligna, é pior. Como já escrevi antes, a principal questão da controvérsia com Wikipedia é a questão da validação do conhecimento, que por seu turno é facilmente resumível a uma questão de luta pelo poder. O poder de manter o processo de validação controlado “pelos nossos”. Ao longo da história nunca ninguém gostou de perder privilégios. Essa é uma das características imutáveis da espécie humana. (em Expresso, De Flora, a virgem mãe de 2006, ao poder sobre o conhecimento)