Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

27 de outubro de 2005

O eucalipto

O EUCALIPTO. A direita portuguesa está metida numa alhada. O PSD está aflito, marginalizado pelo impensável feito do PS, que com Sócrates conseguiu captar o centro, reunindo este governo uma dose de consenso bastante grande para o que era esperável (até Cavaco garante apoio ao Governo!). O CDS está quase extinto. Entretanto, um número crescente de gente — por enquanto apenas nas elites burguesas, é certo, mas o derrame social é inevitável — abre os ouvidos à magia da palavra “liberalismo”. “Este” liberalismo ainda não mostrou verdadeiramente o rosto: pode dali sair um caudilho populista ao pé do qual Paulo Portas pareça um aspirante, mas também dali pode vir um pensamento mais centralista, meia de capitalismo meia de preocupação social, com uma pitada da Europa loura (e social-democrata…) que triunfa na economia global apesar de saber tomar conta do seu Estado — capaz de unir, numa alternativa por enquanto sem credibilidade, “centrões” de direita e de esquerda. Ou outra coisa qualquer: basta ler pelos blogues as fervilhantes ideias (nem todas originais, é certo) para compreender que algo mexe naquela zona social. Contra o “sistema”.

Cavaco Silva é o último representante da direita que conhecemos. A direita do “sistema” que, na ânsia cega de uma vitória no terreno que nunca ganhou, se prepara para a erosão do seu humus. Como o partido dele sabe muito bem, tudo murcha à roda de Aníbal.