Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

15 de setembro de 2006

O Expresso mostrou a cara

Não tenho dúvidas sobre a atracção que os bons DVDs apresentam para os consumidores. Mas são injustas as críticas ao Expresso que se fundamentam na aparente inutilidade dos DVD grátis, do ponto de vista do produto jornalístico.

Os lançamentos, relançamentos e mudanças são acompanhadas naturalmente de operações de marketing, como a dos DVD, que não é nem a primeira, nem grandemente imaginativa. É normal que as máquinas de vendas das empresas, sejam elas quais forem, tirem partido destes momentos de mudança para captar novos clientes. Afinal de contas, o jornal precisa de receitas e nisso não se distingue de qualquer outra empresa.

Mas não é essa a razão principal das acções de marketing. A razão principal é mesmo levar o renovado produto às mãos (olhos) de gente que ou nunca leu o Expresso mas pode gostar dele, ou já leu e desistiu, ou é leitor ocasional. Em todo e qualquer caso, representa uma oportunidade de submeter o “produto” ao “sufrágio” do “mercado”. Que tem a palavra final.

Curiosamente, não vi menção ao que considero mais significativo na operação-lançamento (que foi MUITO BEM urdida, tiro o meu chapéu a quem a gizou, e faço notar que não sei quem foi). Não vi em lado nenhum referido que o Expresso mostrou a cara. Depois de anos com o rosto tapado na publicitária burka de plástico que José António Saraiva considerou o seu principal legado ao jornal, o logotipo do Expresso, bem como a sua manchete e fotografias e primeira página, voltaram a mostrar-se nas bancas. É salutar. Só pode trazer bons resultados e espero que não voltem a tornar o embrulho opaco.

Ficou o melhor do saco de plástico — a organização e facilidade de transporte. Ganhou o Expresso o direito a mostrar o rosto. Significativo.