Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

19 de julho de 2006

O fantoche Israel contra o fantasma Hezbollah

Mesmo correndo o risco de irritar os pró-israelitas (infelizmente tudo o que é judeu ou parecido tornou-se sagrado para a cultura ocidental, nortenha e rica e estamos a um passo do início das perseguições aos “outros”), tenho de dizer que gostaria de ter escrito isto, que assino por baixo:

Aliás, no final desta orgia sádica de violência bélica contra um país indefeso, que deixará o Líbano em ruínas, a única coisa que Israel não conseguirá destruir é justamente o Hezbollah (que, como todos os movimentos elusivos, não precisa de infra-estruturas próprias)” (Vital Moreira no blog Causa Nossa)

Há muito que quem manda em Israel não é o povo israelita. Aliás, nunca foi, a começar pela génese da nação. A política regional não existe, ou por outra, temos fantoches a esgrimir contra fantasmas. A região é um gigante tabuleiro de xadrez onde forças multinacionais sacrificam gâmbitos aos seus interesses, as mais das vezes económicos ou simbólicos. Os autóctones (de sempre ou de ocasião) não passam de sacrificáveis peões. Palestianos, libaneses, jordanos, sírios ou israelitas, não passam de camundongos para ensaios de política suja, olhados por nós dentro do seu sangrento aquário através do vidro fosco das televisões prime time. Na Europa e EUA as facções discutem acaloradamente no mais infantil género o teu mau mata mais que o meu.

The americans just don’t get it. Desde o Vietname que os americanos não percebem que a guerra de espaços e territórios simplesmente não se ganha. Podem pulverizar (e fizeram-no) um país que a guerra continua (a ser perdida diariamente).

Eu não sei resolver o Médio Oriente. Por isso mesmo sei como o assunto não se resolve.