Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

15 de outubro de 2006

O frenético bater de milhões de teclados numa praça à roda do mundo

Onésimo Almeida, Professor Universitário e investigador na Brown University de Providence, 59 anos, entrevistado há alguns dias por Luís Carmelo (com a devida vénia; negritos meus):

- O que é que lhe diz a palavra “blogosfera”?

Um zunir de conversas cruzadas numa cadeia interminável de cafés; a chinfrinfonia de um frenético bater de milhões de teclados numa praça à roda do mundo onde cada um descarrega a sua opinião (e muitos, a bílis).

- Seguiu algum acontecimento nacional ou internacional através de blogues?

Não, embora visite alguns quando há tempo. Mas não são o lugar mais fiável para se seguir acontecimentos. É preciso ter-se muita fé para se acreditar em muito do que circula nos blogues e ela míngua por aqui. Sucessivos escaldamentos em crenças diversas vão tendo os seus efeitos.

- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?

Fazem-me sentir vontade de não escrever mais para não aumentar a confusão.

- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?

Que é potencialmente livre não tenho dúvidas (já li cada uma!). Mas um mortal cidadão como eu não fica mais livre. Sente-se oprimido pelo peso da sua ignorância e pelo sentimento de incapacidade de ler blogues suficientes de modo a poder destrinçar A de B. Por isso cada vez me valho mais dos jornais para evitar um blogueio mental.