Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

5 de outubro de 2006

O futebol (jogo) é um oásis

Ao título do singelo artigo de opinião de João Almeida Moreira no Record de hoje (edição em papel, pág.11) somei apenas o parêntesis. O artigo é pequeno — mas demolidor como há muito não lia. Recorda-nos os factos simples da vida. Basta uma curta reflexão sobre ele para se ficar a perceber melhor porque é o futebol (sem parêntesis) a porcaria de que um dia falou Carlos Queiroz, antes de emigrar para sempre. E porque devia o país compreender e aceitar a eficácia da selecção nacional, em vez de tolamente questionar a “importância” do futebol.

Tomemos como uma parábola o que passo a reproduzir, com a devida vénia.

Se o Sporting tivesse perdido os jogos todos em casa, Paulo Bento provavelmente já estaria despedido. Os miúdos, em vez de elogiados, tinham sido desfeitos. E os dirigentes da SAD postos em causa. Resumindo: sofreriam as consequências de um mau desempenho na sua esfera de acção. É esta a lei das empresas. No Sporting, no entanto, parece que só quem está no futebol é que tem metas traçadas e objectivos por cumprir. Onde está o culpado de o Alvaláxia dar prejuízo e obrigar à venda? Quem puxa as orelhas ao responsável que não soube manter o relvado em perfeitas condições? De quem é a culpa de Obikwelu estar com um pé no rival mesmo sendo o atletismo a única modalidade levada a sério em Alvalade? Se na estrutura do Sporting todos corressem como Moutinho, produzissem como Liedson ou brilhassem como Nani, o clube seria, de facto, grande.