Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

26 de outubro de 2005

O Grande Mecânico

O GRANDE MECÂNICO. Segundo António Torres, director-adjunto da Democracia Liberal (dirigida por um homem que muito prezo, o nosso amigo João Carvalho Fernandes, do Fumaças), Cavaco nunca foi cavaquista (uma óbvia verdade destinada a distinguir Cavaco do cavaquismo, esse período negro, ainda por digerir nas suas várias ramificações, da História de Portugal) e é por isso que ele (e “os portugueses”) vai votar em Cavaco. O editorial é francamente recomendável (link), a argumentação é tão boa que uma pessoa acaba de ler e tanto pode dizer: exacto!, de acordo!, é por isso mesmo que não voto Cavaco!, como pode deixar a página inspirado para um post com 173 razões para votar em Cavaco.

Há duas frases que entendo particularmente arrebatadoras! Uma é esta: «Desde Cerveira às Ilhas Selvagens e desde Moimenta da Beira até à Ilha do Pico, a mentalidade de Portugal tem que ser mudada – radicalmente. O Estado tem que ser reformado para que o país possa ser actualizado.». Como intenção, não está nada mal: há 30 anos que alguém a repete no mínimo três vezes por dia, a propósito de qualquer coisa que tenha acontecido (ou não tenha acontecido) e em alturas eleitorais há, até, candidatos tão ousados, tão inovadores, que a invocaram — com uma ou outra variante geográfica, sou forçado a admitir — como ponto importante dos respectivos programas salvíficos do país e seus traumas. Avé Torres, saudam-te os que admiram a originalidade!

A outra, a minha favorita, e que aqui vos deixo sem mais comentários, foi esta: «Como um automóvel avariado, Portugal entrou em roda livre e terá já marcada a data do capotamento fatal. É esta certeza que importa evitar.».