Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

21 de maio de 2006

O "mercado" (I)

Segundo alguns acérrimos optimistas, existirá em Portugal um mercado de habitação. Assim sendo, o Estado não terá nada que se interpôr entre a oferta e a procura.

O lado dos optimistas é claro. E é errado. Porque eles vêm uma (e como tal operam simbolicamente numa) miragem: não existe mercado de habitação algum.

Um mercado define-se pela existência de uma dinâmica entre quem quer e quem tem. Segundo a teoria, comprovada na prática quando o mercado efectivamente ocorre, se há muita procura de um bem o seu preço aumenta, sucedendo a inversa, ou seja, baixando o preço quando a procura é pouca.

A procura de casas para venda (concentremo-nos nesta) baixou em Lisboa há alguns anos e desde então só se ouvem queixas dos proprietários; mas não se assistiu a nenhuma mudança nos preços, o que só pode indicar uma de duas causas.

Ou os senhorios, seus representantes e toda a gente envolvida mente despudoradamente (teoria da conspiração), ou não há mercado de imobiliário para habitação algum (teoria cientificamente comprovável).

O que se passa no mercado imobiliário passa-se noutros sectores da actividade financeira portuguesa: ou o Estado intervem, seja pela via legislativa seja injectando dinheiro fresco, ou o mercado definha.

Deve ser por causa disso que todos prometem diminuir o peso do Estado e uma vez com o poder de o fazer desistem.