Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

6 de outubro de 2007

O novo Praça da República: uma análise

Volta e meia, alguém me pede a opinião sobre o seu blogue, página ou serviço. Acontece tanto pela via do jornal como pela via da minha presença online. Umas vezes dou, outras respondo negativamente. É como com as solicitações para ir as conferências de Imprensa, ou os dossiers enviados e pedidos para fazer notícias sobre este ou aquele assunto: em função da pertinência uns são aceites, outros não.

As reviews, ou críticas, ganham terreno no campo editorial online, como era de esperar e prever (e confesso que não previ). Penso que ainda vou a tempo, tendo decido encetar uma rúbrica de críticas no Certamente!. Umas são-me pedidas ou sugeridas, algumas são encomendadas (sim: aceito propostas para fazer crítica a sites, blogues e serviços), e para todas as que decidir tornar públicas o ponto de partida é sempre o mesmo: independência. Sejam gratuitas ou consultadorias pagas, as análises que aceite fazer não obrigam em nenhuma circunstância a minha opinião, nem pela positiva nem pela negativa; só são publicadas com consentimento.

A análise de hoje é das que me foi gentilmente pedida. Em concreto, pelo João Espinho, do Praça da República, que valoriza a minha opinião crítica ou não ma teria pedido, demandando um olhar distante de forma a poder ajudá-lo. Demorei algum tempo a responder-lhe, o que o João compreendeu ;) Na altura já germinava a ideia de abrir uma secção no Certamente!, mas quando o pedido veio ainda a logística não estava preparada. Na volta do e-mail perguntei ao João se se importava que eu publicasse a análise aqui — ao que ele amavelmente aquiesceu.

É esse texto que reproduzo três semanas depois da nossa troca de mails, com alguma edição posterior que eliminou detalhes pessoais; mantive a linguagem coloquial do e-mail para não partir todo o texto, mas o registo pessoal tem carácter de excepção e não de regra. Alguns dos detalhes foram, segundo me disse depois o João Espinho, levados em conta nas arrumações finais do website, o que naturalmente me agrada ;)

Breve análise crítica ao Praça da República em Beja

Acho o blogue impecável, correcto, bom template (só aumentava um pouco o tamanho do título).

A opção pela supressão da barra lateral… é arriscada e eu não a faria. É uma decisão sobretudo de gosto; também é editorial… na verdade não tenho objecções, é mesmo matéria de gosto. Quando digo arriscada refiro-me apenas aos hábitos de leitura dos consumidores de blogues portugueses. Não tenho grandes dados, o empirismo diz-nos porém que são em geral consumidores habituados a algum estereotipo e a coluna lateral à direita é o principal estereotipo. Eu já corri riscos partindo-a em duas! Agora é mais normal ver colunas laterais subdivididas, mas quando comecei até recebi queixas. É uma questão de tempo até a coluna única ser aceite sem objecções também nos blogues (já existia em páginas web).

Um design assim, com uma única coluna, está muitas vezes associado a um rodapé possante, onde se desenrolam as acções típicas da barra lateral, como arquivos, links, etc, e também a uma diminuição do número de posts. É frequente nestes designs termos apenas o último post, ou um post em destaque, e nesse ultra-rodapé os links dos últimos posts.

Pessoalmente, não sou grande adepto, mas há uma corrente que vai engrossando. É mais frequente vermos esses templates em blogues vanguardistas e de geeks.

Não recomendo esse “corte epistemológico” para o caso do Praça da República — embora sugerisse uma diminuição do número de posts na primeira página e um discreto chamariz com títulos no rodapé. Contei 19 entradas (devem ser 20, contei mal). Um exemplo seria cortar para metade e meter os dez títulos seguintes no rodapé.

Atenção: à parte a diminuição do número de posts, que recomendo para um máximo de 12 a 15, isto são meras sugestões, ideias. Como comecei: o blogue está bom.

Estas sugestões, aliás, só seriam de p|or em prática com um período experimental em que o autor estaria particularmente atento à evolução das métricas de que disponha (recomendo o Analytics para uma coisa assim, mesmo que depois fosse retirado por ter alguns contras). A diminuição da quantidade de posts é essencialmente ergonómica e confere às páginas maior rapidez de carregamento, melhorando a experiência do leitor. Mas costuma ter impacto no número de páginas por visita. Espera-se aliás que tenha. É em função desse impacto, bem como de outros indicadores, que se deve decidir qual o melhor equilíbrio para a frontpage (e as páginas de arquivo temático e temporal, que quase invariavelmente seguem o mesmo modelo).

Quanto ao estatuto, penso ser correcto. A opção pela CC 2.5 é a mais adequada aos blogues em geral e sem dúvida a este caso.

Com este design, onde vão colocar os banners de publicidade, quando os houver? No topo? Ou entre posts?

Quanto aos problemas indicados para a análise: não há nenhum problema técnico com o feed, pelo que vi. Há blogues que têm também feeds dos comentários post a post, mas não vejo necessidade alguma, ninguém usa isso no círculo de blogues em que este se insere (é uma feature apreciada por técnicos e webmasters, a grande maioria dos leitores da Praça nem se aperceberá dela). Melhor alternativa é um plugin que permite que o comentarista receba os comentários seguintes nesse post por e-mail. É mais serviço, é mais adequado e não tendo grandes audiências sempre é mais usado que o feed dos comentários.

Recomendo, sim, o uso do FeedBurner. Como tens o feed actualmente, não há hipóteses de lhe meter métrica em cima. Nem métrica nem coisa nenhuma, a menos que se recorra em permanência a um programador. Com o FeedBurner, porém, o autor controla sem problemas quem lê por feed, pode ainda distribuir os conteúdos por uma newsletter diária (tenho 90 leitores assim no Certamente! e é a forma como mais blogues leio hoje em dia!), tem toda a métrica e ainda permitirá injectar anúncios, esperando-se que em breve a Google lhe meta os AdSenses.