Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

14 de dezembro de 2005

O professor da banalidade

O PROFESSOR DA BANALIDADE. Segundo Ele, só Ele devia ser eleito porque tem experiência do cargo. O Grande Professor Da Banalidade E Grande Pai Da Pátria acha que paternalizando o oponente ganharia o debate. Alegre, que antes de candidato é uma boa pessoa, seguiu o instinto e deixou o seu ex-grande amigo, a quem no passado ajudou tanto, seguir por aí. Francamente, foi mau. Mas adiante. Deste debate há a tirar o seguinte.

O formato, como defendi aqui imediatamente após o primeiro dos debates, é bom, é melhor formato televisivo que já vi para estas eleições em três décadas delas.

Os entevistadores. Estiveram muito mal. Surpreendentemente, pois antes tinham estado muito bem. Mal preparados, apáticos, erraram absurdamente no timing de cortar / dar a palavra. Ver Sousa Tavares e Constança Cunha e Sá deixarem Soares tomar o microfone para fazer as perguntas, como dois pés-de-microfone contratados a prazo para o debate que se deixam impressionar, doeu-me um pouco.

Alegre. Podia ter dado baile a Soares mas preferiu a serenidade. Não ganhou o debate. Não perdeu o debate. Mas mostrou-se mais vago do que eu gostava de lhe ver.

Soares. Fez o que eu esperava, atacou Alegre sobre todos os pontos de vista, caindo-lhe em cima em cada vírgula. Fez bem, fez mal? Cada um julgará à sua maneira. Eu acho que não lhe rendeu um único voto.

O debate. Não clarificou o essencial: quem passa à segunda volta, se a houver?

Eleições. Soares já devia ter passado Alegre: tem (devia ter, pensava-se que tinha) a máquina partidária do PS a apoiá-lo. O facto de isso ainda não ter acontecido, a pouco menos de dois meses das eleições, devia estar neste momento a tirar o aparelho socialista da modorra e a vir para a rua gritar. Ora, não se vê nada nas hostes o PS excepto desorientação.

Cavaco. Deve estar apreensivo. O “empate” no debate de hoje significa um impasse à esquerda e centro-esquerda — e enquanto assim for esses votos estão captivos. E há dúvidas que só os votos da direita (desiludida) e centro-direita cheguem para o eleger. Para a sua candidatura, era muito melhor ter já um único adversário.