Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

21 de março de 2006

O que é que me escapou?

Durante meio século XX o “mercado” português foi controlado com mão de ferro por uma ditadura: o país empobreceu mais que os seus vizinhos e os raros empresários que estiveram do lado do ditador fizeram raras e colossais fortunas.

Veio uma revolução e uma década de nacionalizações: o país empobreceu mais que os seus vizinhos enquanto os raros empresários que souberam navegar nas “águas turbulentas” da revolução lançaram as bases dos seus colossais impérios actuais.

Seguiu-se uma década ao melhor estilo liberal, com o país dirigido por um economista de poucas palavras e muita acção: a despeito do autêntico dilúvio de euros vindo da CE o pais empobreceu bastante mais que os seus vizinhos e (os desta vez um pouco menos) raros empresários que souberam estender a mão ao subsídio certo duplicaram o valor dos seus bens.

O presente é chefiado por um socialista liberal carinhoso para com os raros empresários e o país continua a empobrecer mais que os seus vizinhos, enquanto os detentores de capital somam lucros anuais na casa dos dois dígitos.

Apesar disto, um punhado de jovens chegados ou em vias de chegar ao mercado de trabalho reclama “menos peso do Estado” na economia.

Algo me escapou no meio destas décadas. O Estado português gere pior que os “privados” (com ou sem aspas)? Melhor? Será que existe uma solução no “mercado” (com ou sem aspas)? E fora dele? Algo me escapou. O que não me escapou infelizmente foi isto: Portugal continua a empobrecer face aos seus vizinhos.