Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

30 de setembro de 2006

O saco de plástico

Era previsível. À terceira semana, a clivagem Sol-Expresso tomou conta da blogosférica conversa e o debate ocupa o seu verdadeiro lugar quando o que está em causa é fazer mais barulho que o adversário. (Adeus, debate.)

Hoje, o assunto do sábado poderia ser: quantos exemplares de cada um dos semanários ficaram nos postos de venda? Ou: irá o Sol repetir as vendas anunciadas nas duas primeiras semanas? Ou ainda: com os DVD a entrar na rotina dos títulos mnos apelativos, as vendas populares do Expresso vão diminuir?

Mas não. O pontapé de saída foi dado, e onde mais poderia ser, no Blasfémias. jcd tem um post presunçoso sobre a “dificuldade” da sua “decisão” (link). A resposta de João Morgado Fernandes não se fez esperar e, num texto que jcd e os “liberais” já vinham merecendo, dá uma lição sobre o pluralismo opinativo do DN que o Público e o Sol só podem almejar (Oh diabo).

Como eu previ, era fácil perceber para onde ia cair o “coração” da blogosfera histórica.

Agora a minha experiência esta tarde nas bancas.

Primeiro spot, uma gasolineira de grande tiragem. Pego num saco de plástico e já vou a caminho da caixa quando percebo que é o saco de plástico do Sol. Recuo. Levo, não levo? Olho as capas de dois dos cadernos pedindo ajuda a uma decisão. Decisão: nenhuma valia dois euros. Procuro o Expresso. Não há. Pergunto ao encarregado. Esgotou. Ok, é a gasolina da bomba um.

Segundo spot, uma papelaria/tabacaria que vende papel, numa zona não totalmente central (não vou correr outra vez a cidade, fiquei esperto). Uma pilha de sacos de plástico dá-me confiança. Mas é sol de pouca dura. O Expresso? Só temos um, mas incompleto. Mas tem o DVD… diz a rapariga com um ar profissional. Não demando o DVD, mas não vale a pena dizer-lho. O que falta: o Emprego e o primeiro caderno. Hesito. O Emprego não me faz falta, mas o Expresso sem primeiro caderno é uma amputação muito grande…

Penso em quantos mais locais teria de percorrer em busca de um exemplar completo (e refiro-me ao papel, não à rodela de plástico) do Expresso por estas tardes de sábado. A experiência das duas semanas anteriores não é para repetir. Venha de lá o exemplar manco. A Economia, a Única e a Actual valem os €2,8.

Atrás de mim deixo duas pilhas de sacos de plástico. As sobras — o pesadelo da minha indústria.