Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

21 de fevereiro de 2007

OPA: Henrique Granadeiro com excesso de confiança?

O «conselho de administração da PT propõe-se remunerar os accionistas em 6,2 mil milhões de euros até 2009, contra os 3,5 mil milhões anteriores – e propõe-se recomprar ainda até 16,5% de acções próprias, a um preço máximo de 11,5 euros, 9,5% acima da OPA. [...] A segunda questão é que a PT está agora a fazer aquilo que criticou à Sonaecom: um enorme esforço financeiro, aparentemente acima do aceitável, que vai prejudicar a empresa no seu esforço de investimento nos próximos anos.» (Nicolau Santos em Golpe e contra-golpe, no Economista poeta).

Ao longo da OPA tenho admirado a forma galharda como Henrique Granadeiro deu a volta ao desânimo e desnorte da Portugal Telecom, uma empresa que parecia conformada com a sua sorte. Honestamente, alguém pensa que com Horta e Costa teria havido esta reviravolta?

Ontem e hoje, porém, pareceu-me ver nele algum excesso de confiança. Como fez questão de referir numa entrevista hoje, Granadeiro está ao serviço dos accionistas. Afirmações de testosterona da parte do CA são desaconselhadas.

Não me convence o quadro simplista do vencedor e vencido da OPA que alguns começam entusiasticamente a pintar na ressaca dos dois movimentos, um de cada lado. Belmiro de Azevedo dificilmente se poderá considerar derrotado por não conseguir engolir um mamute dez vezes maior que a Sonae e ninguém lhe poderá tirar o prémio por ter colocado sobriedade num “mercado” pouco sério. Se resistir à OPA da Sonae, a PT terá sabido impor o seu próprio peso económico ao mercado e enfrenta um período de gestão rigorosa num cenário alterado onde já não controla as regras como anteriormente (maior transparência) e no qual entraram novos players.

Mas o jogo não acabou ainda. Vamos ver se resta algum trunfo na mão dos Azevedos.