Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

8 de janeiro de 2008

Opinião nos media: a mudança que tarda, o futuro que hesita

Meia dúzia de períodos notáveis, uppercuts sem apelo, os de Tiago Barbosa Ribeiro no texto desistência intelectual.

Quando se banalizam determinadas palavras, não sobra nada. Desde logo, debate político. Também por isso, vale a pena ler este post do Valupi sobre os últimos artigos de António Barreto no Público. O problema não é só de Barreto, cujo percurso intelectual admiro; na realidade, alarga-se a outros colunistas, comentadores e bloggers. Talvez pelo espírito do tempo de uma maioria absoluta e da falta de comparência das oposições, nota-se uma ausência de reflexividade e densidade crítica nas divergências que se manifestam em relação ao governo. O normal debate político é substituído pelo ataque ideológico mais basista, pela denúncia do estilo, pela obsessão com as conspiratites, pela preguiça ou pelo simples enfado, que é o que tudo isto representa. E assim, dia após dia, o espaço público empobrece-se com o contributo de quem mais acusa a sua falta de dinamismo. Tenho pena, sinceramente.

Está a chegar a hora da renovação de quadros, mas esta tarda — e se um ou dois passam (ou até somam prestígio por contraste), a concentração de produtos fora do prazo de validade não traz saúde à opinião publicada. Talvez devido ao momento de desorientação que os responsáveis pelos media vivem e as diferentes interrogações que o futuro levanta — a começar pela (de)composição de alguns dos nossos grupos. De uma coisa não é certamente: da falta de talento das novas fornadas.