Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

30 de julho de 2006

Os lacaios dos senhores da guerra

Uma guerra é um assunto sério, normalmente gerido por profissionais com objectivos estratégicos claros e com controlo de forças nos dois terrenos onde hoje é importante estar: o palco da guerra e a coluna defensiva encarregue de, junto das massas de civis, tentar controlar a opinião publicada mundialmente e desencadear o mais rapidamente possível os mecanismos de adesão / rejeição que levam os povos a esquecer a argumentação.

Esta plateia está repleta dos amadores, jovens turcos de sangue quente, sempre dispostos a entrar num coro e a alinhar numa rixa. O tipo mais interessante de amador é o beligerante. Sempre do lado do mais forte, é mais papista que o papa e grita esfola! ainda o mata! do seu líder não acabou a segunda sílaba. Afirma-se sempre como o detentor de A Verdade. Até podia eventualmente ter razão, mas na prática o beligerante apresenta-se fraco porque contribui sempre para o esforço de guerra do lado que lhe parecer mais forte.

Um amador, especialmente o beligerante amador, é o alvo fácil da manipulação dos profissionais da propaganda. Qualquer exibição de poder, qualquer anúncio de uma ofensiva o excita e atiça. Aliás, não há sangue que ferva mais depressa do que o sangue bem nutrido destes hashashins de aviário.

Em consequência, estes que se dizem do lado certo a favor de Israel até podem estar a ser sinceros, mas se estão fazem o papel de idiotas úteis, porque as suas exaltadas afirmações reforçam a posição dos pacifistas que hoje, na Europa, nos EUA e até na “rua árabe” iniciaram com os seus protestos a contagem decrescente para o cessar-fogo no Líbano.

Esgrimir patacoadas com João Miranda é muito fácil, como comprovo assim. Mais difícil é apoiar uma solução. Eu não tenho nenhuma excepto o cessar-fogo e a intervenção musculada do Conselho de Segurança da ONU com uns EUA compenetrados de que o tempo corre cada vez mais depressa contra eles (e contra nós todos, na verdade) no barril de petróleo do Médio Oriente. A guerra é um assunto demasiado sério para ser deixado aos senhores da dita, aos seus lacaios ou aos pintaínhos pacifistas — podia eu dizer agora.