Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

10 de abril de 2007

Papel político dos media no 25 de Abril em debate na Almedina

No mês em que se comemora o 33º aniversário da “Revolução dos Cravos”, a livraria Almedina Estádio, em Coimbra, lança “As portas que Abril abriu”, um ciclo de reflexão e discussão sobre o 25 de Abril que irá reunir especialistas, estudantes e cidadãos de todas as idades.

Hugo Gilberto, Avelino Rodrigues, ambos jornalistas, e João Figueira, ex-jornalista e docente de jornalismo na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, são os convidados da primeira tertúlia que terá por tema “O 25 de Abril na Comunicação Social”. Na próxima Quinta-feira, 12 de Abril, às 21 horas, as três gerações de jornalistas representadas procurarão definir que memória guardam da Revolução e qual a importância do papel da liberdade na informação.

Como o 25 de Abril foi visto pelos jornalistas da altura? Que impacto teve a “Revolução dos Cravos” na vida dos jornalistas? O que a comunicação social da época relatou? Que papel político e social desempenhou, em particular na divulgação do programa do Movimento das Forças Armadas (MFA)?

Avelino Rodrigues, jornalista profissional desde 1968 (O Século, RTP, Diário de Lisboa, Teledifusão de Macau…), analisou os diferentes passos do 25 de Abril e do período que se seguiu, até ao Verão Quente, nos diferentes livros que publicou (Abril nos Quartéis de Novembro, em colaboração com Cesário Borga e Mário Cardoso; Portugal depois de Abril, com Cesário Borga e Mário Cardoso e O Movimento dos Capitães e o 25 de Abril, com C. Borga e M. Cardoso).

João Figueira, jornalista durante mais de 20 anos, dedicou a sua dissertação de Mestrado aos jornais dessa altura (Os Jornais como Actores políticos, no prelo), oferecendo algumas pistas à interpretação do papel político da comunicação social no período pós-revolução. Ao contrário dos seus colegas, Hugo Gilberto, que não tem uma memória vivenciada do 25 de Abril, pertence a uma geração que não viveu a censura do “lápis azul”, mas que enfrenta, hoje, outro tipo de constrangimentos. A ideia é justamente cruzar esta pluralidade de experiências e de olhares, no sentido de debater as implicações várias que a liberdade ou a ausência dela e as diferentes conjunturas políticas e sociais exercem sobre o exercício do jornalismo e da informação.

Nas semanas seguintes, outros temas, sempre com o 25 de Abril por pano de fundo, vão estar em cena na Almedina, sempre às 21 horas: O ensino, A literatura, e As comemorações. Afinal, o que resta do 25 de Abril hoje? A Ideias Concertadas, em colaboração com o Centro de Documentação 25 de Abril da Universidade de Coimbra, procura trazer uma resposta a essa pergunta, ao longo de um ciclo que fará reflectir o público da livraria Almedina sobre um dos marcos mais importante da história portuguesa recente (link)