Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

1 de dezembro de 2006

Pedro Lomba, o sentimental de direita

Não conhecemos soluções sem desvantagens, trajectos sem obstáculos. Tento sempre, tenho tentado, que os meus textos se possam descrever como inconclusivos. Porque eu mesmo sou inconclusivo e é talvez por isso, pensando bem, que nunca consegui ser de esquerda. Sempre me perguntei porque é que sendo eu um sentimental não conseguia ser de esquerda. Aí está uma razão, a melhor razão.

(Pedro Lomba no Vício de forma)

Começo por aqui: é um parágrafo notável e um pensamento brilhante. Conheço (embora de raspão) o Pedro há algum tempo e tenho-o nessa conta de inconclusivo, brilha e apaga a alta velocidade. Não haja equívocos: não só admiro o Pedro como gosto do Pedro — no meu caso, isto torna irrelevantes as muitas distâncias entre nós. Como Cavaco Silva, por exemplo. Bem, adiante.

Ele confunde o pior do PCP (repara: eu nem sequer escrevi “o PCP”) com “a esquerda”. Há esquerda (olha, Manuel Alegre!) que prima pela inconclusividade. E eu penso mais, penso que a direita sim, tem problemas de, digamos, excesso de rigidez intelectual (o que excluiria Lomba da direita…)

Mas concordo que os Grandes Sentimentalões se podem encontrar com maior frequência na esquerda (dia 5 vou à SPA de propósito para reencontrar um deles, o Afonso Dias, que foi deputado ainda havia UDP, mas livrou-se da política depressa) e que a direita é povoada por indivíduos incapazes de um afecto básico.

Eu por mim ando nesta fase de recusar respostas e à procura de perguntas. Das perguntas.

( Este texto não faz sentido nenhum, mas isso não é importante. Olha, fica como um homenagem ao surrealismo em extinção. )