Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

14 de setembro de 2010

Perguntaram uma vez a Gandhi o que achava ele da civilização ocidental

Deambulando por acaso em arquivos de blogs, descobri esta pérola de Rui Tavares, hoje eurodeputado e à época (Fevereiro de 2006) blogger (também) no AspirinaB. Não resisto à re-publicação, a propósito do 9/11 e dos radicais cristãos de turno, na folga da Al Qaeda.

Uma excelente ideia

Perguntaram uma vez a Gandhi o que achava ele da civilização ocidental. Respondeu o homem:

“Acho que seria uma excelente ideia”.

Já Vasco Pulido Valente, outro grande exemplo de ascetismo e contenção, não tem o menor problema em escrever o seguinte:

“A tirania do “politicamente correcto” já não permite pensar que a civilização greco-latina e judeo-cristã da Europa e da América é uma civilização superior; e superior, muito em especial, à civilização falhada muçulmana e árabe. Mas, quer se pense quer não, o facto permanece [...]“

Só para tirar dúvidas, eu gostaria de saber se esta civilização superior de que fala Vasco Pulido Valente é a mesma que há duas gerações atrás matou milhões de pessoas nas câmaras de gás, nos campos de concentração e de batalha, nos bombardeamentos aéreos com armas convencionais ou nucleares, nos gulag e nas purgas internas, para não falar nas guerras coloniais. Reparem: não estou a falar da Inquisição nem da Guerra dos Cem Anos, mas de coisas que ocorreram na infância de Vasco Pulido Valente. Coisas que nos devem dar um pouco de que pensar antes de falar da superioridade de civilizações assim como os meninos falam do tamanho das pilinhas. Num caso como noutro, não importa qual é a maior, mas sim o que podemos fazer com elas.

(No mesmo tema da responsabilidade pelo choque de civilizações, mas mais actual e do outro lado do Atlântico, ler Nine years of insanity, and journalism shares the blame, de Steve Yelvington.)