Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

14 de fevereiro de 2005

Pensei que era uma piada. Fui a correr ler. Não era piada. Deu na TSF. Dois partidos políticos suspenderam a campanha política e um outro partido suspendeu as acções festivas, prosseguindo embora com as acções “não-festivas”, porque uma freira morreu. Uma freira acamada há anos, desaparecida de circulação, a que já ninguém – a começar pelos mais altos dirigentes dessas agremiações políticas – ligava pêvas. Uma freira que se distinguiu das outras pelas suas alucinações de há 80 anos morre e os políticos páram o que estão a fazer, benzem-se e desatam a correr para Lisboa, não vão as câmaras no funeral não os filmar?

«’O PS não está assim tão longe do PSD como se pensa. É nestas palhaçadas que se nota bem» – dizem aqui ao lado para o telefone. É a pura das verdades, penso eu. Venderem-se à putativa hipótese de ir buscar meia dúzia de votos, não mais do que isso, a velhinhas do Interior? Foda-se! (Irra! – para os leitores sensíveis.)

Pois. Acho que o erro está em mim. Diziam (e escreveram na Constituição e tudo) que isto era um Estado laico e eu pimba, engoli isco, anzol, cana de pesca e tudo. Vómito. Não é. É uma fantochada pegada. E foi neste preciso momento em que vi o PS nitidamente aos papéis com a perspectiva de meia dúzia de beatas das berças acharem que aquele engenheiro bem parecido é afinal o Diabo em forma de político se, vade ao rectro, não fingir muito cristãmente verter uma lagrimeta pelo estupor da velha, a partir deste preciso momento, dizia eu, acho que perderam a hipótese de se chegarem à sua primeira maioria absoluta. Quem treme assim não merece – pensará o povo, mesmo o povo cristão, que para a chata da Lúcia (não há pachorra!) já deu há muito tempo. Isto excepto, claro está, Paulo Portas, o príncipe da beataria.