Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

11 de janeiro de 2007

Portugal descobre, finalmente, a sua vocação na Europa comunitária

Ao longo dos anos de adesão à CEE, hoje UE, o país andou pensativo a tentar descobrir o que fazer. Primeiro, começámos por agradecer aos alemães os camiões de dinheiro vindo direitinho dos impostos deles comprando-lhes BMW em troca. Isto pela mão sábia de uma classe empresarial cultivada nas mais finas escolas londrinas.

Mas era pouco. Até porque não havia auto-estradas para andar.

Decidimos então que eram precisas auto-estradas. O “tio” europeu, plácido, aquiesceu e o betão floresceu.

Mas só os BMW é que chegaram mais depressa a Madrid (e as carrinhas de aluguer aos saldos do Ikea). Incompreensivelmente, os ingratos dos trabalhadores recusavam-se a produzir e a economia lusa continuou a afastar-se da média comunitária.

Era preciso mais. Era preciso mais educação e tínhamos o exemplo irlandês.

Decidimos então provar que os fundos de coesão eram bem aplicados na formação profissional, usando-os para pagar a gasolina dos Mercedes das empresas de formação.

Mas não deu em nada. Os ingratos do costume, a que se foram progressivamente juntando as classes médias, bem se hipotecaram na tentativa de arranjar forma de seguir o exemplo e queimar gasolina em carros melhores, mas só conseguiram enriquecer as duas ou três famílias que controlam a banca.

Broncos.

O “tio” europeu, entretanto, viu a família aumentar a olhos vistos e com mais bocas por sustentar optou por racionalizar as mesadas através de exemplos. Sentou os novos países em cima do joelho, apontou para Portugal e disse: estão a ver o que fez aquele mariola? Não lhe sigam o exemplo e poderão ser alguém quando forem grandes!

A parábola veio a propósito do post Portugal: o exemplo a evitar no Direito & Economia, que contém o link para o case study oficial da UE, Portugal’s boom and bust: lessons for euro newcomers.