Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

10 de abril de 2005

Precisam-se colaboradores, assunto sério

Há um mito que se torna cada vez mais necessário desmontar, de uma vez por todas. O de que os media são “culturalmente de Esquerda”. Tenho para mim que o argumento não passa da rotineira demagogia dos “intelectuais” que ganham a vida defendendo a Direita. Mas não há nada como a realidade para apurar razões. É ou não verdade que os media são controlados ao nível do pensamento pela Esquerda? (Ao nível do pensamento e influência, pois a sua propriedade está bem clara.)

A resposta não pode ser dada pela emissão de comentários na blogosfera (e fora dela), nem mesmo por uma “sondagem” de opinião. Precisamos de factos.

É necessário realizar um estudo independente sobre o assunto. A metodologia é simples, porém eficaz: contar espingardas (ou teclados, para ser rigoroso).

Assim, precisam-se colaboradores para ajudar à contagem, pois sozinho não conseguirei: não tenho informação suficiente e o meu olhar está à partida inquinado pelas minhas suspeitas, ora quer-se um estudo independente.

É necessário contar três tipos de “teclados”.

Primeiro: um por um, fazer o levantamento de todos os colaboradores da Imprensa, os ditos “opinion makers”, contabilizando a quantidade de espaço e o ritmo com que o ocupam, e também as suas preferências e/ou vocações em matéria de Direita-Esquerda. Na grande maioria dos casos é fácil, sendo poucos os que mantém uma posição “central”, ou relativamente neutra, ou distanciada. Interessam os cronistas da política, da economia, e da vida social – descontadas as irrelevâncias das revistas cor de rosa, que não contam para nenhum totobola do pensamento.

Segundo e mais difícil: idem aspas para as estruturas de poder nas Redacções, ou seja, verificar as chefias dos jornais, começando pelas direcções e vindo por aí abaixo pelo menos até aos editorialistas; a camada intermédia, os “chefes de secção”, são relevantes na medida em que escolhem e definem a agenda do jornal – mas é muito difícil chegar a esse estrato, fiquemo-nos pelos imediatamente acima.

Terceiro e praticamente impossível: verificar as tendências individuais dentro de cada Redacção.

Fico contente — e o estudo ficará relevante — se se conseguisse ir ao fundo nas duas primeiras etapas.

Os colaboradores podem começar por se inscrever deixando um comentário. Haja massa crítica e avançaremos para a discussão da metodologia e para a distribuição de tarefas numa mailing-list que disponibilizarei para o efeito.

Interessados?