Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

15 de junho de 2007

Propaganda e jornalismo: uma pequena achega

Numa peça televisiva desta semana é mostrado um chefe da PT a anunciar como um serviço inovador o triple-play único e não existente em Portugal. O jornalista podia ter interrompido para explicar aos tele-espectadores que o serviço efectivamente já existe em Portugal, devendo o entrevistado estar a referir-se à sua carteira de produtos e não ao mercado, onde o Clix já oferece triple-play há meses. Dificilmente o senhor poderia dizer que não conhece o produto da concorrência e o jornalista teria não apenas cumprido a sua missão de informar correctamente, como colocado no devido lugar uma pessoa habituada a pôr e dispôr da televisão e das revistas de informática como orgãos de propaganda de massas.

Não sou propriamente um provedor, ou um crítico dos meios, nem quero. Estou simplesmente a ecoar a preocupação de um leitor, que neste caso é também a minha pois reagi da mesma forma à peça e incomoda-me o excesso de simpatia pelas fontes e a falta de conhecimentos. O leitor em causa, Nuno Barros, fez-me chegar pelo formulário de contacto um simpático repto, que não pude aceitar (disse-lhe a razão). Mas sempre chamo a atenção para um erro comum no jornalismo português relacionado com as tecnologias e faço um apelo, se assim lhe posso chamar, aos jornalistas que lidam com os patrões desse meio: sejam mais atentos e confrontem-nos com o que eles dizem, ou confundir-se-ão com suportes publicitários.