Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

6 de dezembro de 2005

Que cruz esta, a da burrice

QUE CRUZ ESTA, A DA BURRICE. Respigo duas ideias que me parecem bombas nucleares contra a cruzada em defesa das cruzes empreendida por um bando de cruzados que bem podiam ser crucificados nelas em vez de escreverem disparates, sem contar com os beatos.

Da situação histórica, Vital Moreira no Público de 5 de Dezembro: «Em 1936 [...) Salazar fez aprovar uma lei que [...] ordenava a exibição de crucifixos em todas as escolas. [...] A escola pública tornava-se um lugar de proselitismo ideológico, à luz da “doutrina e da moral cristãs”, do qual a disciplina de religião era somente um aspecto. A própria Constituição seria depois modificada para acomodar a posteriori o novo confessionalismo de Estado.»

Da verdade, José Vitor Malheiros (idem): «A verdade sobre a laicidade do Estado – que é uma equidistância das religiões – é que ela é condição da liberdade religiosa. É isso que visa a proibição dos símbolos religiosos (e não só dos crucifixos) das paredes dos edifícios públicos (e não é só das escolas). Esta é a única atitude que respeita a liberdade de culto – de todos, e não apenas de alguns. Porque existem em Portugal pessoas que não se revêem na cruz, outras que abraçam a cruz mas respeitam demasiado os outros para quererem impor-lhes a sua religião e muitos ainda que não têm religião.».