Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

8 de janeiro de 2005

Que PSD para os próximos anos?

Pacheco Pereira já tinha chamado a atenção para um aspecto que está a passar ao lado da análise política actual — condicionada que está pelas eleições a curtíssimo prazo, com a decorrente correria. O que é o PSD sem nenhum dos seus líderes anteriores a Santana Lopes? – perguntou no Abrupto.

Há pouco, ao responder a um comentário do amigo Raul, ocorreu-me com maior clareza o seguinte: a crise do PSD é muito mais profunda do que damos conta à superfície dos dias eleitorais.

A minha resposta aqui promovida a post: Amigo Raul: o trauma não é só meu e não é só do governo-fantoche que tem reinado. Mas a verdade é que nem foi isso que me levou a repensar a minha atitude perante o voto. Foi mais ver que o actual PPD/PSD está rigorosamente feito em cacos e não me apetece nada que consigam enredar uma vez mais o povo nas mentiras habituais e voltem ao Poder sustentados na mais pura demagogia e… em nada mais que isso.

Por outro lado o actual PS tem uma coisa boa (aos meus olhos): frescura. Isso dita a minha escolha pontual.

Mas acima de tudo considero estarmos perante uma oportunidade única de tentar revitalizar as estruturas governativas e até as partidárias, com o PS à míngua de cabeças e o PPD/PSD à beira de uma revolução / renovação interna muito profunda, uma autêntica cisão geracional (de efeitos ainda difíceis de prever).

Escrito isto ao sabor do teclado, parei para reflectir. Por razões várias nenhuma das figuras que celebrizou o PPD/PSD nos últimos 30 anos tem condições objectivas para agarrar o partido. Marcelo, só por cima do cadáver dele — tanto foi o mal que o partido lhe fez. Só poderia almejar vingar-se das bases fazendo-se eleger PR por elas :) Cavaco não comprou nenhum carro novo, logo não irá fazer a rodagem até ao congresso extraordinário que inevitavelmente virá perdidas as eleições de Fevereiro. Ambos disputam em surdina a presidência, com larga vantagem (neste momento) para Cavaco. Dias Loureiro, tem mais que fazer — e não estou a vê-lo deixar o estatuto senatorial que já conquistou. Ferreira Leite, depois da traição do Verão nem que beijassem o chão que ela pisa e acho muito bem, ex-vizinha!

Mas com Lopes o PPD/PSD não tem futuro outro senão alinhavar-se, sabujo, às teias conspiratórias do PP. Nem com o poderoso afrodisíaco do Poder consegue manter o partido unido — como se viu nos últimos meses, como se vislumbra no triste espectáculo da pré-campanha.

Lopes só pode significar cisão no centro do espectro, ocupado pela maioria do PPD/PSD, com reforço do extremo e desvio dos social-democratas de raiz para as franjas à direita dos socialistas. Depois dele, o dilúvio? Não estou a ver o partido render-se aos encantos da sua ala intelectual, personificada em JPP. Nem a atirar-se aos pés de algum dos traídos, pedindo perdão (não faz o género). Marques Mendes, sussuram-me aqui, com um olhar esperançado. Pisco o olho e sorrio…

Que resta então ao maior partido da direita e mais influente na vida portuguesa nas últimas três décadas? Com que PSD poderemos contar para os próximos anos para uma oposição eficaz ao governo PS em preparação?

Eis uma bela duma incógnita. Rapaziada: pensem nisso no fim de semana e digam qualquer coisinha.