Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

13 de abril de 2005

Recapitulando, eu TAMBÉM quero o anel de diamantes!

O Estado português paga a mão de obra e cria as oportunidades e os “liberais”, à portuguesa ou não, continuam a pedir menos Estado (de acordo, DESDE QUE dedos e anéis sejam postos a salvo do saque privado e fiquem na propriedade dos seus legítimos donos, nós) para imitarem as economias da moda. O nosso amigo dos Jaquinzinhos, irredutível liberal com horror ao Estado, ainda não percebeu que o engulho de alguns de nós (só falo de alguns) não está em reduzir o peso do Estado cortando a gordura (redundante e desnecessária, de acordo): o engulho é duvidar das mãozinhas da clínica privada que fariam/farão tal lipo-aspiração.

E depois resta por resolver a questão da (re)distribuição da riqueza. Você, caro leitor, confiaria na honestidade dos patrões e “empresários” na hora de repartir o produto do seu trabalho?

Caro Jaquinzinhos: a pergunta é também para si.

Basicamente, se bem entendo a mensagem liberal, a riqueza produzida não carece de redistribuição: um assalariado recebe justamente € 1.000, um quadro médio aufere com a maior naturalidade € 2.500 e um empresário digamos da média fica com um pocket-money de € 30.000 fora as alcavalas anuais e os fringe benefits e está tudo certo, cada um recebeu em função do que produziu, onde está o problema pá?

Digamos que não perspectivo a coisa pelos liberais olhinhos. As inenarráveis assimetrias salariais são uma podridão do sistema, geram um castelo de cartas de problemas que cedo ou tarde inquinarão de morte qualquer sociedade. Encolher os ombros e varrer a questão para debaixo do tapete não é para mim.