Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

31 de outubro de 2006

Reflexão justa a propósito de Miguel Sousa Tavares no Expresso

Luis Santos tem uma reflexão justa e implacável (e, para mim, o melhor texto que li na blogosfera sobre o assunto) a propósito da “defesa” de Miguel Sousa Tavares na sua crónica no Expresso. Cito de o problema do Marajá no Atrium, recomendando a leitura completa do texto:

Compreendo o problema do MST e, como disse acima, concordo em absoluto com as razões da sua indignação. Não posso, porém, concordar com os métodos a que recorre e não aceito as generalizações basistas que faz.“

Eu, que gosto de ler MST mesmo achando-o amiúde desnecessariamente truculento, e sobretudo gosto que a Imprensa possa dar-se ao luxo de ter miguéis sousas tavares, considero que MST falou superficialmente sobre um mundo que conhece pela rama e de ouvir falar (às pessoas erradas).

Também a preocupação do Rogério Santos no Indústrias Culturais (dos articulistas) é destacável. Não partilho da peroração sobre a privacidade e intimidade — tema recorrente no espaço mediático português e geralmente subsequente à discussão de outro nariz de cera favorito das oposições, que é a questão do controlo dos media pertencentes ao Estado — mas partilho da exposição sobre o anonimato. E destaco o parágrafo final, um bem educado remate para este episódio (que permitiu uma aula de aprendizagem de materiais muito estimulante para os meus novos alunos).

Eu não seria tão polido e não sei se para MST a mão nua ou a luva de boxe não seriam mais indicadas, mas o Rogério é mais pelica. Cito com a devida vénia:

Claro que o desespero ou a indignação de Sousa Tavares leva-o a escrever algo menos consentâneo com o que publica. Para ele, o universo dos blogues “é o paraíso do discurso impune, da cobardia mais desenvergonhada, da desforra dos medíocres”. Há não muito tempo, o mesmo autor falara dos escritores, universo a que pertence, como tendo igualmente problemas estruturais: mordomias exageradas, deslocações a todo o mundo para debitar as mesmas ideias, exibição de poder em hierarquias bastante rígidas. Por esta descrição não poderemos generalizar e desprezar o mundo dos escritores. Ou dos jornalistas. Ou dos blogues.“