Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

3 de fevereiro de 2007

Sai um pouco de guerrilha anti-não para a mesa do canto

As vadias, a vítima e o Jaime é um poderoso texto de Vasco M. Barreto (Caderno I) publicado no Sim no Referendo.

VMB sintetiza as Duas Grandes e Principais Teses dos Ilustres Carcereiros da Mulher: a tese da rameira (são todas umas vadias, querem livre-trânsito para o deboche) e a tese da virgem (não as vamos deixar à mercê dos apetites masculinos, defendida com mestria pela “virtuosa” Laurinda Alves).

«O problema», escreve, «é que a tese da virgem, ao multiplicar a falta de confiança na capacidade de decisão das mulheres, faz de cúmulo de tese da rameira. Não só elas não têm como decidir sobre o que lhes está no ventre, como não tiveram competência para decidir quem esteve antes com elas na cama. Nessa medida, a tese da virgem ainda irrita mais. E tentar perceber como estas virgens mulheres não encalham logo pela manhã numa qualquer dicotomia do quotidiano – torradas: manteiga ou doce de pêssego? – é também um enorme empreitada.»

VMB acaba com a dilacerante dúvida que se nos colocará no dia 12: «condeno a virgem de Jaime a um aborto clandestino ou aumento as hipóteses de que ela vir a fazer um aborto em segurança?».

Eu já escolhi. Rameira ou virgem tanto faz, voto pelo aumento das hipóteses da “vítima” fazer um aborto em segurança.