Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

5 de setembro de 2006

Semanário Sol começa bem

«A criação e lançamento do semanário Sol implicou o investimento de ‘quatro a cinco milhões de euros‘, revelou ontem o administrador-delegado do título, José Marquitos, durante uma apresentação do jornal, cuja chegada do primeiro número às bancas está agendada para o próximo dia 16 de Setembro» (Meios & Publicidade, subscrição gratuita).

Começa bem: o administrador delegado aponta um intervalo de 20% para o valor o investimento – um número que por esta altura, a dias do lançamento, está necessariamente contabilizado com grande pormenor. Contas vagas. Em Portugal ainda só se escrutinam (quando se escrutinam) as contas públicas. As privadas… O que por aí irá.

«Mantendo o discurso optimista sobre a perspectiva de ultrapassar o nível de vendas do Expresso ‘no prazo máximo de um ano‘ e liderar o segmento de semanários ‘desde o primeiro número‘, o director do Sol, José António Saraiva, manifestou ainda a convicção de que o jornal ‘ultrapasse já este ano as receitas previstas‘, na medida em que as marcações de publicidade já contratadas pelos anunciantes ultrapassarão ‘um quarto do previsto para o ano’.

E Marquitos? Onde estava Marquitos quando JAS disse isto? Alguém chame o administrador-delegado! O director não foi vago nas contas!

Graçola à parte, JAS igual a ele próprio: usando a fanfarronice como um meio para os seus fins. A incongruência: se vai ultrapassar as vendas o líder do segmento dos semanários no pazo máximo de um ano, como vai liderar o segmento desde o primeiro número? Wishful thinking pode ser lírico mas não vende papel. Nem sequer o suja, quanto mais vende.

Francamente: não lho desejo, mas vejo-o caminhar sem glória para uma reforma antecipada, resta-lhe a ficção nos livros. A poucos dias do lançamento, Saraiva atira “números” de publicidade e continuam a não se conhecer os nomes que darão lastro à opinião do jornal, nem a composição do seu quadro redactorial, o Sol está envolto numa nuvem. Ou num bluff. As mudanças no Expresso até agora surpreenderam pela positiva. E a eventual (para não dizer improvável) captura da dúzia e meia de leitores do semanário entretanto desaparecido não tranquilizam nem o mais vago dos administradores-delegados.

E delegados de quem, afinal?

Do BCP Capital, da JVC Holding SGPS e da Imosider SGPS, que entram com a parte de leão dos milhões, que tanto podem ter sido quatro como cinco, sabe-se lá ao certo.

Bancos e SGPS desconhecidas com 3/4 do guito de um jornal? Aquele managment vai berrar “lucro!” e querer fazer rolar cabeças em menos tempo do que levará ao arquitecto a confirmar que as estratégias dos fabricantes de lucros não coincidem em lado nenhum com as estratégias de grupos (ou empresas a solo) de imprensa. Quando os investidores do mundo real começarem a enervar os mangas de alpaca que gerem as participações do BCP, no caso com duas SGPS sem registo histórico no mercado, vamos ver quanto tempo brilha o Sol.

Eu gostava de errar as conjecturas e que o Sol brilhasse muito tempo, quanto mais não fosse porque simpatizo com ex-camaradas que transitaram para lá, desde o Vitor Rainho (devo ser o único, mas gosto dele) ao José António Lima (agora administador-delegado pela parte da empresa que os dissidentes do Expresso fizeram para entrar na sociedade do Sol). Mas temo bem não errar.