Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

12 de fevereiro de 2007

Sismo: a explicação da "banhada"

Em Copenhaga, já em countdown para a Portela, soube do sismo pelo Adufe. Mas pelo Blogservatório pude de imediato ter uma panorâmica sobre quem está a dizer o quê sobre o assunto, com a vantagem adicional de comparar os posts na blogosfera com as notícias de jornais.

Cada um fará a sua leitura e é claro que a minha vai ser objecto de controvérsia, tudo o que escrevo ultimamente atrai a matilha, mas aqui vai:

O ruído é mais intenso nos blogues, onde a conversa atinge níveis ridículos e se pode ler a regular prosápia de exigências e críticas aos jornais e os lugares comuns habituais nestas circunstâncias sobre o que deviam e não deviam fazer as instituições.

No meio desta sonolenta e inútil cacofonia há felizmente alguns esclarecidos que preferem partilhar informação útil e leituras adicionais, numa tarefa de complemento que é essencial aos espaço mediático, complementaridade essa inscrita no “código genético” da blogosfera.

Quando contrastadas com a ligeireza da blogosfera, as máquinas das Redacções parece que demoram a aquecer. A demora explica-se facilmente pela própria natureza de intermediação que é a dos jornais. Estes não vivem de ir a correr publicar um “sentimento” ou um “parece que”. Não é isso que se espera deles.

Quando chega a uma Redacção de um jornal a notícia de um terramoto, o primeiro impulso não é (ainda) o de a veicular. Para isso servem as agências e as rádios. Estas, naturalmente, cumprem o impulso através dos seus circuitos vitais: a rede de clientes, no caso da agência, a antena no caso das rádios. Aqueles estão formatados para a recolha de factos e confirmação, fazendo um tratamento pensado para as páginas de jornais.

Neste quadro, não surpreende que o primeiro a dar a notícia (segundo a comparação que permite o Blogservatorio enquanto improvisada ferramenta de análise, ainda imperfeita) tenha sido… um jornal digital, o Portugal Diário. A sua Redacção já age em função do meio online e tem a destreza de movimentos suficiente para dar uma notícia objectiva e já complementada com as reacções oficiais.

Se as edições online dos nossos diários fossem o que se diz que são, a esta hora já tínhamos infografias e animações sobre o acontecimento, cuja importância é suficiente para o recurso a este tipo de meios. Assim… vamos esperar que algum semanário o faça.