Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

25 de outubro de 2006

Sobre o anonimato

O anonimato justifica-se quando:

1. o autor precisa proteger a sua integridade física, que ficaria ameaçada em caso de exposição. Aplica-se nos casos de países com regimes ditatoriais (como Cuba), “democracias musculadas” (como a Rússia) ou tiranias persecutórias (como a China e o Irão).

2. o autor precisa proteger a sua integridade profissional ou o seu nome. A aplicar em democracias, em situações extremas e/ou complexas, como o funcionário público que pretenda denunciar um escândalo, como o assalariado que quer expôr uma falcatrua, como o cidadão que precisa denunciar ilegalidades que conhece e pode (ajudar a) comprovar.

O anonimato aceita-se quando:

1. integrado numa estratégia que visa desmontar algo, como no caso dos agentes infiltrados.

2. se quer participar sem incómodo pessoal, como no caso de figuras públicas ou de grande exposição que pretendam viver uma experiência pelo que esta vale, sem o ruído que fatalmente o seu nome provoca.

3. se pretenda uma participação ligeira, com liberdade sem compromisso, como no caso de meter conversa num café sobre os assuntos do dia, como no caso de participar nos comentários de um post ou thread com o intuito de experimentar argumentações que não se defendem em nome pessoal e/ou estimular debates.

Pergunto: o caso do blog anónimo que “denuncia” o “plágio” de Sousa Tavares (aspas evidentes) cabe nalgum destes pontos?

Cabe nalgum ponto não mencionado e que seja igualmente válido?

O(s) seu(s) autor(es) explicaram nalguma circunstância a alguém a razão de terem escolhido o anonimato?

Se as respostas a estas três perguntas forem firmes positivas, temos caso. Se não forem, é apenas mais uma diversão de mau gosto e, dependendo do humor do visado, caso de tribunal. Ou de bengalada.