Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

7 de dezembro de 2007

Sondagens: tudo boas notícias

José Sócrates respirou de alívio quando viu as sondagens de hoje. Já está na recta descendente da legislatura e ainda está no limiar da maioria absoluta. A descer, claro, mas isso não é notícia. O contrário é que seria bizarro.

As subidas à direita são também boas notícias. A melhor delas, a subida de Menezes. Folclore puro, tratável na altura certa: nas semanas anteriores à campanha eleitoral. Menezes só pode mesmo subir alguma coisa nesta altura, e sem dúvida que tem feito por isso. Mas a “boa imprensa” é natural, acontece a todos depois de serem eleitos, desde o Primeiro Ministro ao Presidente da República.

Todos temos direito ao estado de graça, é dos livros.

Interpretar o resultado de Luis Filipe Menezes de outra forma é desperdício de energia.

Sócrates tem dois anos para piscar o olho ao eleitorado. Ainda tem para ir a jogo uma ou duas remodelações num governo intacto (a substituição de Freitas não conta). A presidência europeia não correu nada mal. Não foi perfeita, mas foi claramente positiva (para o governo e pessoalmente, deixou o cartão em muito lado, o futuro nunca se sabe, olha o outro José). Cavaco não tem ponta por onde lhe pegar. Algum dossier mal gerido e a Imprensa em cima, no problem, ministro borda fora, assunto resolvido. A margem de folga dele a meio da corrida é impressionante (e um verdadeiro atestado de incompetência à oposição).

No limiar da maioria absoluta. Está o Primeiro Ministro de parabéns.

Não que tenha nisso grande mérito o seu governo. Não tem. Sócrates ganha o jogo por falta de comparência do adversário.

Isso não vem nas sondagens.

Mas o que fica é o resultado.

Já os seus principais opositores na manobra mediática tiveram um 2007 complicado. Marcelo espalhou-se algumas vezes e perdeu aquele ar de infalibilidade que o distinguiu anos e anos. Eu gosto muito de ouvir e ver o professor, mesmo quando tem a bola de cristal fundida. Depois de virar a bandeira do PSD de pernas para o ar, um golpe de marketing que permitiu um pico nas “audiências” da sua página e mais uma dúzia de entrevistas nos MSM, José Pacheco Pereira publica as fotos dos correspondentes electrónicos e as capas com 40 anos da sua muito estimável colecção Argonauta.

(Há ainda o grupinho dos “liberais” que é extremamente combativo e dialético, mas não produziu uma linha coerente de política real ou oposição real.)

À esquerda, o debate dos intelectuais é apaixonante e culto, eu sigo com alguma admiração. Fora eles, o pessoal da ferrugem encaixotado no escritório à espera da reforma continua a identificar erradamente o inimigo. É mau para a luta de classes e — lá está — bom para este Governo.

Foi o país em 2007, é o país em 2008. Nada a acrescentar.