Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

29 de setembro de 2007

Tal & Qual o Luiz Carvalho descreve

Um bom texto do Luiz Carvalho sobre o Tal & Qual, jornal que esta semana chegou ao fim. O Luiz trabalhou lá e faz a história breve do jornal.

Não tenho pena que o Tal & Qual tenha acabado. Teve o seu tempo — e que tempo! Naquela altura era um produto sem par e teve fases em que era do melhor jornalismo que se praticava por cá. Noutras, nem tanto. Ultimamente, nem por isso — mas os dias de hoje penalizam o jornalismo em profundidade e desprezam a reportagem com tomates. Simplesmente não paga. É a vida, azar, temos pena.

O segredo para o sucesso era simples: criatividade, dedicação, estrutura simples e pensar sempre no leitor.

Temo que esses tempos de entrega, de fervor pela reportagem, nunca mais voltem a ter essa militância. Vivíamos para o jornal e a nossa vida era excitante. Encontrávamos histórias em todo o lado.

Éramos respeitados, temidos e muito bem pagos. Era uma forma de estar na profissão que não se compadecia com fretes a fontes, amiguismos. Havia rigor na escrita e exigência nas fotografias. Posso dizer que era um jornalismo independente e sério. Nos três anos que lá estive o jornal nunca teve nenhum processo e foram bem escaldantes alguns dos temas publicados” (em Acabou o jornal que me fez repórter, negrito meu)

Eu não trabalhei no Tal & Qual. Uma vez, ao tempo de Rocha Vieira, ainda se pensou nisso, mas o interesse das duas partes não era convincente. Conheci no entanto alguns dos jornalistas que o fizeram, pelo que sei um pouco de como aquilo funcionava. Não era um espectáculo lá muito recomendável — no mesmo sentido em que não é visitar o balneário de uma equipa de futebol vencedora ou o camarim de uma superestrela, se é que me faço entender. Houve alturas em que gastavam mais (dinheiro e atenção) em advogados do que em jornalistas.