Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

13 de dezembro de 2004

Teia de afecto

(Post roubado ao tempo de Expresso) Vamos por partes. O afecto desinteressado existe? Acredito que sim. Como acredito que existe o amor desinteressado, quase filantrópico. A questão é outra. Está na gestão dos afectos. É fácil (é humano) embriagarmo-nos na tecitura da rede de afectos com que envolvemos o outro e, inebriados com o poder daí advindo, exercê-lo sobre o outro, bem ou mal intencionadamente. Vejo o caminho e a sua facilidade. Não enveredo por aí.

Pouca coisa deve haver no mundo pior que afectos telecomandados e amores manipulados. Ponto um.

Ponto dois, qual é o interesse de cercear os limites do outro? Não há vantagem, não há valor acrescentado, nem sequer há segurança.

Mais vale contratar com o risco uma avença permanente e tecer os afectos sem pressupostos outros que não a felicidade mútua da sua tecelagem.

Pelo menos eu sou assim. Ou se ama despojadamente ou se vai dar comida às galinhas.